ARTIGO

Lula zera imposto para impedir que guerra encareça comida e doa no bolso do caminhoneiro
NOS ESTADOS UNIDOS, O IMPACTO JÁ É SENTIDO, COM AUMENTO DE ATÉ 20% NOS PREÇOS
A nova escalada de conflitos no Oriente Médio já produz seus efeitos no mundo e, como de costume, os Estados Unidos seguem no centro de uma política internacional que desestabiliza mercados e pressiona o preço do petróleo. O resultado é conhecido: combustível mais caro, inflação e, no fim da cadeia, comida mais
Diante disso, o presidente Lula fez o que se espera de um governo comprometido com o seu povo: agiu.
Ao zerar as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, o governo Lula tomou uma medida direta para impedir que uma guerra — distante geograficamente, mas brutalmente próxima economicamente — recaia sobre quem trabalha. A conta não pode chegar ao caminhoneiro. E, se não chega ao caminhoneiro, não chega ao prato do povo brasileiro.
Porque a lógica é simples e concreta! É o diesel que move o país: transporta a safra, abastece as cidades, garante que o alimento chegue à mesa. Quando ele sobe, sobe tudo.
Nos Estados Unidos, o impacto já é sentido, com aumento de até 20% nos preços. Lá, a lógica é absorver o choque. Aqui, a escolha foi outra: proteger a população. Mas há um ponto que precisa ser dito sem rodeios.
Não basta o governo reduzir impostos se parte do setor insiste em agir com oportunismo. O Brasil conhece bem esse roteiro: o preço internacional sobe e o repasse é imediato. O imposto cai, e o desconto simplesmente não aparece.
Não é distorção de mercado, é escolha! E é por isso que a medida do governo vem acompanhada de algo igualmente necessário: fiscalização. Combater o aumento abusivo, expor práticas especulativas e impedir que a crise vire margem de lucro para poucos às custas de muitos.
Quem insiste em segurar a redução de preço enquanto lucra com instabilidade internacional não pode se esconder atrás do discurso de “livre mercado”. Isso tem nome: abuso.
Ao mesmo tempo, o governo acerta ao elevar o imposto sobre a exportação de petróleo, direcionando a conta para quem está obtendo ganhos extraordinários com a alta global. Em vez de penalizar quem depende do diesel para viver, cobra-se de quem lucra com a crise.
E faz isso sem comprometer o equilíbrio fiscal, desmontando, mais uma vez, a falsa oposição entre responsabilidade econômica e proteção social. O que está colocado é um contraste evidente.
De um lado, um governo que atua para impedir que uma guerra aumente o preço da comida no Brasil. De outro, interesses que operam para transformar qualquer instabilidade em lucro rápido, mesmo que isso signifique apertar ainda mais a vida da população.
Não há neutralidade possível diante disso. Se o imposto foi zerado, o preço tem que cair. E se não cair, não será por falta de ação do governo, será por decisão de quem, mesmo diante de uma crise global, escolhe lucrar mais em vez de pesar menos sobre o povo.
Mais do que isso: o governo abre mão de cerca de R$ 30 bilhões em arrecadação para proteger a economia real, enquanto espera compensar esse valor tributando lucros extraordinários do setor de petróleo. Ou seja, a conta está sendo redistribuída com intencionalidade política: tirar de quem ganha mais na crise para aliviar quem mais sofre com ela.
Se ainda assim houver aumento nas bombas, não restará dúvida sobre onde está o problema. Não será a guerra, nem a política internacional, será a expressão mais perversa de um modelo que prioriza lucro acima da vida, operando sem qualquer compromisso com o país. E isso precisa deixar de ser tolerado como prática “normal” de mercado.
Gleide Andrade é secretária nacional de Finanças e Planejamento do Partido dos Trabalhadores (PT).




