Um estudante de 16 anos foi alvo de insultos racistas dentro da Escola Estadual Maurício Murgel, no bairro Nova Suíça, região Oeste de Belo Horizonte, no início da tarde de quarta-feira (28). O caso mobilizou colegas, que fizeram protestos dentro e fora da unidade e cobraram providências da direção. A Polícia Militar foi acionada e registrou um boletim de ocorrência.
De acordo com testemunhas, o adolescente estava penteando o cabelo com um pente garfo quando um vice-coordenador entrou na sala fazendo piadas sobre o tipo de cabelo do garoto. O funcionário teria dito que há muito tempo não via um pente como aquele e completou, rindo: “Mas para pentear o seu cabelo, tem que ser esse mesmo, porque se for outro, não entra”.
A fala revoltou os estudantes, que foram até a coordenação. Ali, segundo os alunos, a situação piorou: a coordenadora-geral do primeiro ano afirmou que o cabelo da vítima era lindo, mas questionou o motivo de o garoto levar o pente para a escola e disse que ele “procurou” o constrangimento.
A reação foi imediata. Os jovens acionaram os pais do colega e, na saída, fizeram um protesto que acabou registrado em vídeo. Nas imagens, o funcionário apontado como autor dos insultos aparece discutindo com o adolescente, enquanto outros estudantes o rechaçam em coro.
Os pais do garoto chamaram a Polícia Militar. Aos militares, o diretor da escola deu uma versão bem diferente: negou o teor racista e afirmou que o funcionário apenas comentou que o jovem “queria ficar bonito”. Disse ainda que a história foi distorcida pelos alunos e “fomentada” pelos professores. Nesta quinta-feira (29), as paredes da escola amanheceram cobertas de cartazes contra a atitude do vice-coordenador.
Em nota, Secretaria de Estado de Educação informou que a Superintendência Regional de Ensino Metropolitana B enviou o Serviço de Inspeção à unidade para fazer um relatório de apuração. O Núcleo de Acolhimento Educacional, formado por psicólogos e assistentes sociais, também foi mobilizado para dar suporte à comunidade escolar. A pasta acrescentou que realiza periodicamente ações de prevenção e conscientização, como rodas de conversa sobre equidade e palestras sobre bullying, dentro do Projeto Socioemocional e Convivência Democrática.







