O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos no caso relacionado aos mais de R$ 400 mil encontrados na residência do deputado federal Sóstenes Cavalcante, do PL do Rio de Janeiro. A decisão, que tramita em sigilo, também incluiu a determinação de mandados de busca e apreensão contra empresários, advogados e o suposto comprador de um imóvel vendido pelo parlamentar em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro.
A informação foi divulgada pela rádio Itatiaia, que teve acesso à decisão proferida nesta quarta-feira, 1º de novembro de 2023. Os valores em espécie apreendidos foram encontrados em um guarda-roupa na casa do deputado e estavam identificados com etiquetas do banco Sicredi. Essa identificação possibilitou à Polícia Federal (PF) rastrear a origem dos recursos e abrir novas frentes de investigação sobre a movimentação financeira do parlamentar.
As investigações indicam uma possível relação entre o dinheiro apreendido e duas empresas: Ejus Empreendimentos Imobiliários e Foco Engenharia e Incorporações Ltda. Ambas estão registradas em nome de Jonas Keslley Gonçalves Umbelino e Jeocy Kenne Gonçalves Umbelino, que a PF considera “laranjas” envolvidos em movimentações financeiras complexas e suspeitas, possivelmente ligadas a recursos públicos.
Além disso, a investigação revelou a existência de uma escritura de compra e venda de um imóvel entre Sóstenes Cavalcante e Thiago de Paula. A PF agora busca verificar a capacidade financeira de Thiago para a realização da transação e se há alguma conexão entre a negociação imobiliária e o montante em dinheiro apreendido.
O pedido de quebra de sigilos foi feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR) após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar movimentações financeiras suspeitas. As apurações têm como foco a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O caso teve início na Operação Rent a Car, que posteriormente se desdobrou na Operação Galho Fraco II, sob condução da Polícia Federal. As investigações buscam elucidar um suposto esquema de desvio de recursos da cota parlamentar em benefício dos deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, ambos do PL do Rio de Janeiro. O objetivo das apurações é entender a movimentação e destinação dos valores pagos por meio de contratos firmados com recursos públicos.
As investigações foram iniciadas em 2024, com foco em assessores parlamentares e empresários suspeitos de envolvimento no esquema. Em dezembro do ano passado, a PF deflagrou a primeira fase da Operação Galho Fraco, cumprindo mandados de busca e apreensão contra Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy, que negam qualquer irregularidade.
No novo desdobramento da investigação, agentes da Polícia Federal realizaram na manhã desta quarta-feira novos mandados de busca e apreensão em locais no Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais, dando continuidade às apurações em torno do caso.







