O ex-governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, do PSD, é considerado um dos possíveis candidatos ao governo do estado nas eleições de 2026. Hartung, que já ocupou o Palácio Anchieta em três mandatos — de 2003 a 2010 e novamente de 2015 a 2018 —, retornou à cena política ao se filiar ao PSD em 2025, após um período sem afiliações partidárias. Apesar das especulações sobre sua candidatura, Hartung afirma que a decisão será tomada durante as convenções partidárias. Ele também expressou apoio ao ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, do Republicanos, afirmando que pedirá votos para ele, caso sua candidatura se confirme.
Formado em Economia pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), Hartung começou sua carreira política no final do regime militar, sendo eleito o primeiro presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFES. Ele participou da reconstrução da União Nacional dos Estudantes (UNE) em 1979. Sua trajetória eleitoral teve início em 1982, quando foi eleito deputado estadual, tornando-se o parlamentar mais jovem da Assembleia Legislativa do Espírito Santo. Hartung foi reeleito em 1986 e participou da Constituinte estadual.
Ao longo de sua carreira, Hartung ocupou diversos cargos, incluindo deputado federal, prefeito de Vitória por dois mandatos, senador e governador do Espírito Santo em três ocasiões. Ele disputou um total de oito eleições, todas com êxito.
Gestão e legado como governador
Hartung destaca-se por sua gestão no governo estadual, que ele descreve como uma resposta a uma crise fiscal severa enfrentada pelo Espírito Santo em 2003, caracterizada por dificuldades financeiras, altos índices de violência e uma reputação abalada perante instituições financeiras. Em resposta, implementou uma política de ajuste fiscal que permeou os diferentes mandatos. Seu terceiro mandato, iniciado em 2015, coincidiu com a recessão econômica mais severa da história recente do Brasil. Mesmo assim, ele lançou programas como o Escola Viva, voltado para o ensino em tempo integral, e o programa Rei de Cuidar, na área da saúde.
Hartung atribui parte do sucesso de sua gestão à redução de desperdícios e à reorganização administrativa do estado, incluindo mudanças no sistema prisional e integração das forças policiais, resultando em uma significativa queda nos índices de homicídio. Ao final de seu último mandato em 2018, o Espírito Santo era frequentemente citado como um modelo nacional em equilíbrio fiscal e controle das contas públicas.
Atuação no setor privado e reflexões políticas
Após deixar o governo, Hartung se desligou do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e passou a atuar no setor privado em São Paulo, onde assumiu funções empresariais e chegou à presidência da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá). Durante esse período, envolveu-se com organizações que promovem a formação de lideranças e discussões sobre políticas públicas, como Todos Pela Educação, RenovaBR e Agora!.
Seu nome foi cogitado para composições políticas nacionais de centro, incluindo debates sobre candidaturas presidenciais. Embora tenha tido ambições para cargos mais altos, Hartung considera que isso depende de circunstâncias políticas e oportunidades históricas. Mesmo fora da política institucional, ele continua ativo no debate nacional, expressando suas opiniões em artigos, palestras e entrevistas.
Hartung critica tanto o governo de Luiz Inácio Lula da Silva quanto a polarização política que tem dominado o cenário nacional. Ele acredita que o terceiro mandato de Lula poderia ter sido uma oportunidade de transição política, mas que o governo priorizou a construção de um novo ciclo eleitoral. Para ele, há espaço para alternativas à polarização entre lulismo e bolsonarismo, que, embora mantenham bases eleitorais significativas, enfrentam alta rejeição.
Na área econômica, Hartung critica o que considera um ciclo de políticas populistas e defende que responsabilidade fiscal e desenvolvimento social devem caminhar juntos. Para ilustrar os impactos das altas taxas de juros, ele utiliza o exemplo de uma dona de casa que, ao trocar um fogão, acaba pagando o equivalente a dois pelo preço de um.
Desafios futuros para o Espírito Santo e o Brasil
Para os próximos anos, Hartung identifica três desafios centrais para o Brasil: reequilibrar a relação entre os Poderes, enfrentar o crime organizado e combater a corrupção. Ao avaliar a situação atual do Espírito Santo, ele observa que o ciclo de crescimento impulsionado por incentivos fiscais está chegando ao fim, o que demanda a formulação de uma nova estratégia de desenvolvimento. Apesar dos avanços durante seus mandatos, Hartung acredita que o estado deve renovar suas lideranças e elaborar um novo projeto de crescimento para as próximas décadas.







