O ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, do partido Republicanos, anunciou sua pré-candidatura ao governo do Espírito Santo nas eleições de 2026. Em abril deste ano, ele renunciou ao cargo de prefeito para atender ao prazo de desincompatibilização estipulado pela legislação eleitoral, destacando que foi o primeiro prefeito da capital a deixar o cargo de forma voluntária, sem intervenções judiciais. Com a sua saída, a vice-prefeita Cris Samorini, do PP, assumiu a prefeitura e continuará no cargo até dezembro de 2028.
Atualmente, Pazolini aparece como líder nas pesquisas eleitorais, alcançando entre 35% e 37% das intenções de voto em diversos cenários para a disputa ao governo do estado. Antes de sua trajetória política, Pazolini construiu uma carreira no serviço público que combina experiências em áreas pouco comuns para um político jovem. Ele atuou como auditor no Tribunal de Contas do Espírito Santo e, posteriormente, como delegado da Polícia Civil, onde ganhou destaque ao chefiar a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) em Vitória. Essa vivência na proteção da infância influenciou seu discurso político e contribuiu para seu apelo emocional junto ao eleitorado.
Pazolini iniciou sua trajetória eleitoral em 2018, quando foi eleito deputado estadual. Em 2020, ele se candidatou à prefeitura de Vitória, conquistando a vitória no segundo turno com 58,5% dos votos, derrotando o ex-prefeito João Coser, do PT. Em 2024, foi reeleito no primeiro turno, superando novamente Coser e Luiz Paulo Vellozo Lucas, do PSDB. Essa vitória consolidou Pazolini como a principal liderança de oposição ao governo de Renato Casagrande, do PSB, mesmo sem o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, que direcionou seus votos ao deputado Capitão Assumção, do PL.
O ex-prefeito justificou sua renúncia ao mandato, afirmando que a decisão foi cuidadosamente considerada. Ele havia se comprometido durante sua campanha a deixar a prefeitura caso houvesse um clamor das lideranças religiosas, políticas e comunitárias para que o modelo de gestão de Vitória fosse implementado em todo o estado. Esse “modelo Vitória” que ele pretende replicar em todos os 78 municípios capixabas é fundamentado em cinco pilares principais.
O primeiro pilar é a ampliação das escolas em tempo integral. Durante sua gestão, o número de escolas nesse regime aumentou de quatro para cinquenta, oferecendo uma jornada de nove horas. Pazolini ressaltou a importância dessa mudança para mães que, antes, enfrentavam dificuldades para trabalhar e estudar devido à falta de apoio.
O segundo pilar é o combate à insegurança alimentar, destacando que Vitória construiu um restaurante popular e erradicou a extrema pobreza. O terceiro pilar refere-se à saúde de proximidade, com unidades básicas abertas durante fins de semana e feriados, oferecendo atendimento humanizado e alcançando 180 mil pessoas que estavam há anos na fila por atendimentos especializados.
Os dois últimos pilares incluem a gestão limpa, sem escândalos, e a proposta de parcerias com os municípios para fortalecer a administração pública. Pazolini destacou que sua gestão saiu “com as duas mãos limpas”.
No cenário político atual, Pazolini enfrenta uma concorrência acirrada, com o governador Ricardo Ferraço, do MDB, como seu principal adversário, além do senador Magno Malta, do PL, que também pode entrar na disputa, o que poderia fragmentar o voto da direita. Contudo, Pazolini conta com o apoio do ex-governador Paulo Hartung, do PSD, que se manifestou favoravelmente à sua candidatura, além do trabalho de articulação do presidente estadual do Republicanos, Erick Musso.
Para a escolha de um candidato a vice, Pazolini afirmou que busca alguém que agregue valor e que possua ética e condições de assumir a governança, embora ainda não tenha revelado nomes. Ao justificar sua aspiração ao governo, ele se baseou em uma pergunta frequente entre os eleitores: “Por que, em um estado tão rico, os benefícios não chegam a todas as casas?”. Para ele, a resposta reside na disposição de governar com empatia, planejamento e presença nos municípios.
Com um desempenho favorável nas pesquisas até o momento, Lorenzo Pazolini se posiciona como um dos favoritos na corrida pelo Palácio Anchieta, enfrentando o desafio de converter sua popularidade em Vitória em apoio nas demais regiões do Espírito Santo, onde ainda é pouco conhecido.






