Uma nova espécie de aranha, conhecida como aranha-da-cara-feliz-do-Himalaia (Theridion himalayana), foi identificada nas montanhas de Uttarakhand, na Índia, desafiando a crença de que esse aracnídeo era nativo apenas do Havaí. A aranha-da-cara-feliz (Theridion grallator), que possui manchas em seu abdômen que se assemelham a um sorriso, foi encontrada a mais de 7.000 quilômetros de sua localização original, surpreendendo a comunidade científica.
A descoberta foi realizada por uma equipe de pesquisadores indianos, incluindo um membro do Museu Regional de História Natural da Índia. Os resultados do estudo foram publicados na revista Evolutionary Systematics em abril de 2023. Inicialmente, os cientistas se dedicavam à pesquisa de espécies de formigas em regiões de alta altitude, mas ao encontrarem aranhas semelhantes àquelas do Havaí a uma altitude de 2.000 metros, decidiram investigar mais a fundo. As análises genéticas realizadas posteriormente confirmaram que se tratava de uma nova espécie, parente da aranha havaiana.
De acordo com os dados coletados, a aranha-do-Himalaia apresenta uma diferença genética de 8,5% em relação à aranha-da-cara-feliz do Havaí, indicando que se trata de uma linhagem que evoluiu independentemente na Ásia. Ambos os tipos de aranhas compartilham, no entanto, uma preferência por habitar plantas de gengibre, o que levantou questões adicionais entre os pesquisadores. O principal autor do estudo, Ashirwad Tripathy, destacou a importância do nome escolhido para a nova espécie, que visa homenagear a majestosa cordilheira do Himalaia, reconhecida por sua biodiversidade.
A coautora do estudo, Devi Priyadarshini, levantou questões intrigantes sobre a relação evolutiva entre as duas espécies. Ela questionou o motivo pelo qual a aranha-do-Himalaia foi descoberta 125 anos após a aranha havaiana, sugerindo que futuros estudos poderão investigar possíveis elos perdidos na evolução dessas aranhas que habitam plantas de gengibre.
Outro aspecto que permanece em aberto é a função dos padrões que conferem à aranha-da-cara-feliz seu nome característico. Devi Priyadarshini observou que, embora esses padrões possam ajudar na sobrevivência dos aracnídeos, ainda não está claro qual é a função exata deles em seu ciclo de vida. Os pesquisadores pretendem continuar suas investigações para encontrar mais exemplares da nova espécie e outras variações que possam contribuir para a compreensão do comportamento e da evolução desses animais.
A descoberta da aranha-do-Himalaia não apenas amplia o conhecimento sobre a diversidade de aracnídeos, mas também levanta novas questões sobre a biogeografia e a evolução das espécies em diferentes habitats. Com essa nova adição ao grupo das aranhas-da-cara-feliz, os cientistas esperam desvendar mais mistérios sobre a vida desses fascinantes seres que habitam regiões tão distintas do planeta.







