A seleção dos Estados Unidos, eliminada pela Bélgica na última segunda-feira (6/7), apresentou um desempenho notável na Copa do Mundo, ao liderar seu grupo na fase anterior. Apesar de não ter igualado sua melhor campanha na era moderna, que ocorreu em 2002, quando alcançou as quartas de final na competição realizada na Coreia do Sul e no Japão, a equipe se destacou por sua abordagem inovadora em relação à saúde mental dos jogadores.
Durante a preparação para o torneio, a comissão técnica da seleção norte-americana implementou uma estratégia que envolveu o contato dos atletas com cães durante os treinos. Essa iniciativa visa promover o equilíbrio emocional dos jogadores em um ambiente competitivo e estressante como o Mundial.
Especialistas consultados confirmam que essa prática possui respaldo científico e pode trazer benefícios significativos. A interação com cães e outros animais é capaz de acalmar a mente e melhorar o bem-estar emocional dos indivíduos. O neurocientista Leandro Freitas Oliveira explica que o contato com pets ativa sistemas cerebrais relacionados ao vínculo afetivo, resultando em um aumento na liberação de substâncias como ocitocina, dopamina e endorfina, hormônios associados ao amor, prazer e bem-estar.
“Esses hormônios, que estão ligados ao vínculo social e à sensação de calma, são potencializados quando interagimos com um animal de estimação. Em um cenário de alta pressão, como um torneio mundial, essa interação pode ser uma estratégia eficaz para a regulação emocional dos atletas”, afirma o professor da Universidade Católica de Brasília (UCB).
O psicólogo Cristian Ribeiro ressalta que existem evidências científicas robustas que apoiam o uso de terapias assistidas por animais, uma abordagem que já demonstrou resultados positivos em diversas populações. Estudos anteriores indicam que o contato com animais pode resultar em melhorias emocionais e comportamentais, especialmente em grupos vulneráveis, como idosos e crianças com transtornos do desenvolvimento.
“Os animais atuam como facilitadores sociais e fontes de apego seguro, contribuindo para o fortalecimento da autoeficácia e estabilização do humor. Um estudo recente de 2023 evidenciou que a interação com animais diminui sintomas de ansiedade e isolamento social, além de melhorar a expressão afetiva”, destaca Ribeiro, que atua no Grupo Reinserir, em São Paulo.
Entretanto, os especialistas alertam que a eficácia dessa técnica pode variar entre os indivíduos. Pessoas que apresentam medo ou alergia a cães podem ter experiências negativas, o que pode agravar sua condição emocional. O neuropsicólogo Rafael Alberto Moore também enfatiza a importância do bem-estar dos animais utilizados nas terapias, que devem ser adequadamente treinados e respeitados.
“A terapia com cães pode ser uma estratégia válida, considerando o potencial dos animais em proporcionar relaxamento e tranquilidade. Contudo, é fundamental levar em conta o estresse e a ansiedade que os próprios animais podem sofrer em um ambiente de alta pressão, como o da Copa do Mundo, que envolve deslocamentos frequentes e mudanças constantes”, conclui o professor do Centro Universitário Uniceplac, em Brasília.







