Na terça-feira, 14 de novembro, a Câmara Municipal de Belo Horizonte aprovou por unanimidade a abertura de uma segunda denúncia contra o vereador Lucas Ganem, do MDB. Em decorrência disso, foi constituída uma comissão processante com a missão de analisar o caso que pode resultar na cassação do mandato do parlamentar.
A comissão será presidida por José Ferreira, do Podemos, que terá a responsabilidade de coordenar os trabalhos. Marilda Portela, do PL, atuará como relatora, encarregada de elaborar o parecer final sobre a investigação. O terceiro membro do grupo é Juninho Los Hermanos, do Avante. O prazo estabelecido para a conclusão das etapas de instrução, defesa e julgamento é de 90 dias.
José Ferreira, presidente da comissão, é aliado do atual presidente da Câmara, Juliano Lopes, também do Podemos. Lopes enfrentou desafios internos em seu partido em relação ao primeiro processo de cassação contra Ganem, o que resultou em ameaças de exclusão de sua legenda por ter colocado o tema em pauta no plenário. Lucas Ganem, por sua vez, pertence a uma família influente dentro do MDB em outros estados.
Ganem foi eleito vereador de Belo Horizonte pelo Podemos nas eleições de 2024. No início de seu mandato, em 1º de janeiro de 2025, ele votou contra seu próprio partido na eleição para a presidência da Câmara, que foi vencida por Juliano Lopes. Recentemente, o vereador trocou de partido, migrando para o MDB na última janela partidária.
Este não é o primeiro processo que Ganem enfrenta na Câmara Municipal. Em janeiro deste ano, uma comissão processante foi instaurada para investigar o vereador pelos mesmos motivos, mas o caso foi arquivado após uma decisão judicial que suspendeu os trabalhos legislativos.
A nova denúncia contra Ganem é fundamentada em acusações de fraude no domicílio eleitoral e na criação de uma estrutura administrativa artificial. O documento que embasa a denúncia reitera que o vereador afirmou residir em uma casa no Bairro Trevo, na região da Pampulha, embora a investigação da Polícia Federal tenha indicado que ele nunca habitou o local. Esse inquérito está em andamento na Justiça para apurar possíveis irregularidades eleitorais.
Além disso, a denúncia também destaca a existência de uma estrutura administrativa artificial. Um relatório de geolocalização do cartão-benefício de alimentação da Câmara revelou que nove servidores do gabinete de Ganem concentraram entre 53% e 100% de seus gastos em municípios do estado de São Paulo durante dias úteis de 2025.
Natural de Indaiatuba, São Paulo, Ganem foi eleito com uma plataforma centrada na defesa dos direitos dos animais. Durante uma das reuniões da comissão processante, ele admitiu ter se mudado para Belo Horizonte logo após sua eleição. Contudo, a legislação eleitoral exige que os candidatos residam no município em que pretendem concorrer pelo menos seis meses antes da eleição. Essa exigência é um dos pontos centrais que podem complicar a situação do vereador em relação à sua elegibilidade.








