Quase 270 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas residências neste fim de semana devido a incêndios florestais fora de controle que devastaram a região vinícola e turística de Bordeaux, na França, e a área ao redor de Madri, na Espanha, conforme informações veiculadas pela AFP neste sábado (25). Na Espanha, dois incêndios distintos, situados na parte oeste da região de Madri, acabaram se fundindo na sexta-feira (24), alimentando um fogo de grandes proporções que quase se conectou a um segundo foco na vizinha Castela e Leão. O conjunto das chamas já consumiu cerca de 24 mil hectares entre Madri e a província de Ávila.
A ovação de relatos de moradores e autoridades aponta para uma situação marcada pela imprevisibilidade, mesmo com a queda pontual das temperaturas. Um dos relatos mais dramáticos veio de Ecologio Cabrera, um aposentado de 86 anos, retirado de sua residência em Aldea del Fresno, a aproximadamente cinquenta quilômetros da capital espanhola, que disse à AFP que jamais viveu algo semelhante. O primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou, neste sábado, que a prioridade é preservar vidas e que o governo acompanha de perto a evolução dos incêndios, observando que, embora as temperaturas tenham diminuído, não se pode prever com exatidão como os ventos se comportarão nos próximos momentos. Até o momento, não havia registro de vítimas fatais na Espanha, mas o governo regional de Madri informou, por meio de sua rede social X, que mais de 2.000 pessoas estavam recebendo atendimento em 14 centros de emergência.
O prefeito da cidade de Brunete, Mar Nicolás, reforçou à AFP que incêndios são comuns em verões, mas destacou que o episódio atual foi particularmente intenso, afetando várias comunidades que ficam próximas a áreas evacuadas. Em El Escorial, ao noroeste de Madrid, um mosteiro histórico ficou parcialmente envolto em fumaça, conforme relato de uma repórter da agência.
Na França, a resposta dos governantes buscou conter a expansão das chamas rumo a Bordeaux e às vinícolas de prestígio da região. O presidente Emmanuel Macron convocou as forças armadas para apoiar as operações de combate aos incêndios, enquanto o primeiro-ministro orientou esforços para extinguir os focos ativos. O ministro do Interior, Laurent Nuñez, informou que 167 mil pessoas foram evacuadas no departamento de Gironde, além de cerca de 30 mil removidas na região de Landes. Escolas e ginásios esportivos foram transformados em abrigos de emergência para receber tanto turistas quanto moradores afetados pela calamidade.
Entre os relatos de quem fugia do fogo, Maria Lalanne, uma moradora de 90 anos, descreveu o momento como devastador: a idosa afirmou estar sem familiares por perto, ainda que visivelmente atordoada, e revelou ter deixado para trás o aparelho auditivo e os óculos durante a evacuação noturna de sua residência. Em Bordeaux, dois bombeiros perderam a vida na última terça-feira (21) enquanto atuavam no combate ao incêndio nas proximidades do aeroporto da cidade. Além dessas fatalidades, pelo menos 40 dos mil profissionais que trabalhavam no combate às chamas em Cap Ferret, península próxima a Bordeaux, ficaram feridos, acrescenta a AFP.
Até o fechamento desta edição, as autoridades não haviam registrado outras mortes na França, mas o quadro permanece volátil, com milhares de pessoas removidas de suas casas e infraestruturas públicas adaptadas para abrigos temporários. A combinação de ventos variáveis, temperaturas que ajudam a manter o fogo ativo e a necessidade de operações coordenadas entre agências estaduais e locais alimenta a complexidade do enfrentamento. As informações sobre o ocorrido neste fim de semana são confirmadas pela AFP.









