A Justiça de Minas Gerais determinou a inclusão no processo criminal de Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, como ré na acusação de homicídio qualificado e latrocínio contra o casal de idosos Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, ocorrido em Belo Horizonte. A diarista, que está presa preventivamente desde o dia 2 de julho, é apontada como autora dos crimes que resultaram na morte do casal, cujos corpos foram encontrados no dia 30 de junho no apartamento no bairro São Pedro.
A denúncia do Ministério Público de Minas Gerais, apresentada na última quarta-feira, 29 de agosto, também inclui acusações de adulteração de provas e uso de meios cruéis para cometer o crime. Segundo as investigações, Paola teria manipulado a cena do crime, além de ter utilizado cartões bancários das vítimas após o homicídio. Ela foi denunciada duas vezes pelo crime de latrocínio, com agravante de uso de meio cruel.
A defesa de Paola, representada pelo advogado Bruno Correa Lemos, afirmou que tomou conhecimento da denúncia e garantiu que atuará em toda a ação penal, respeitando os preceitos constitucionais de ampla defesa e contraditório. Em depoimento à polícia, enquanto era levada à delegacia, a suspeita afirmou que teria colocado quatro comprimidos de uso pessoal em um suco preparado por Maria Clotilde, o que, segundo ela, foi uma tentativa de sedar as vítimas.
De acordo com a denúncia, Paola, que trabalhava como diarista na residência do casal, teria adicionado remédios sedativos à bebida das vítimas, com o objetivo de roubá-las enquanto dormiam. A investigação aponta que, após as vítimas perderem a consciência, a suspeita teria cometido os homicídios com golpes de faca e, em seguida, tentado eliminar vestígios do crime. A polícia também identificou que ela teria manipulado objetos e removido bens do casal, além de tentar apagar vestígios do ocorrido.
A Polícia Civil indicou que Paola já havia decidido cometer o crime antes mesmo de entrar no apartamento do casal. Além disso, há registros de que ela possui um histórico de roubos envolvendo o uso de sedativos contra vítimas. Quando os exames de sangue do casal revelaram a presença de clonazepam, princípio ativo do medicamento Rivotril, a defesa da suspeita afirmou que esses argumentos serão apresentados na fase processual.
No dia do crime, a diarista teria se deslocado ao centro de Belo Horizonte para vender bens e fazer compras utilizando os cartões bancários das vítimas. Segundo as investigações, um segundo suspeito, proprietário de um restaurante na região central da capital, teria facilitado o uso dos cartões, dividindo os valores obtidos. Este indivíduo foi denunciado por furto mediante fraude.
Os corpos do advogado e de sua esposa foram encontrados com sinais de violência provocados por instrumento perfurocortante, possivelmente uma faca, além de sinais de defesa. Também foi constatada a violação de uma gaveta no quarto do casal, além da ausência de telefones e diversos objetos de valor. Como não houve arrombamento na porta de entrada e o controle de acesso ao edifício era por senha ou liberação de moradores, a investigação concentrou-se na diarista, que havia entrado no local pela primeira vez na data do crime.
Paola foi localizada e presa na cidade de Itabira, na região Central de Minas Gerais, dois dias após o crime, enquanto se hospedava em um hotel. As investigações indicam que ela planejava fugir para o Rio Grande do Sul. Durante a operação policial, foram apreendidos com ela R$ 18.800 em dinheiro, além de celulares, joias, bolsas, perfumes, roupas, óculos e uma faca. Também foram encontrados 165 comprimidos do medicamento sedativo Clonazepam, utilizado como princípio ativo do Rivotril.







