A coligação firmada entre o Partido Democrático Trabalhista (PDT), liderado pelo ex-prefeito de Belo Horizonte e pré-candidato ao Governo de Minas Gerais, Alexandre Kalil, e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), presidido pelo deputado federal Aécio Neves, tem sido avaliada por integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) como uma estratégia que afasta partidos e o eleitorado de orientação de esquerda na disputa estadual. Essa aliança, segundo petistas ouvidos por fontes próximas ao partido, beneficia o candidato do PT ao Governo, Patrus Ananias, ao ampliar a rejeição ao projeto de Kalil e ao fortalecer a sua candidatura em um cenário de polarização.
De acordo com aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a soma da rejeição de Kalil, considerado um nome de centro-direita, com a rejeição de Aécio Neves, uma figura de destaque do PSDB e da política mineira, contribui para enfraquecer a candidatura do pedetista. Além disso, a circulação de vídeos que mostram atritos entre Kalil e Aécio reforça a percepção de instabilidade na aliança, o que pode impactar negativamente na captação de votos, especialmente entre eleitores de esquerda que já demonstram resistência às alianças com partidos de centro ou direita.
A tentativa do PDT de estabelecer alianças com outras legendas também não obteve sucesso. Partidos como MDB, PSB, PSOL, Rede e Cidadania recusaram apoio a Kalil ou optaram por composições diferentes. No caso do Cidadania, presidido em Minas Gerais pelo prefeito de Nova Lima, João Marcelo, e pelo presidente da Granbel, João Marcelo, a rejeição ao ex-prefeito de Belo Horizonte é particularmente forte. Prefeitos de cidades vizinhas à capital, como Raposos e Lagoa Santa, relataram dificuldades no trato do pedetista com líderes municipais, o que contribuiu para a resistência de partidos e lideranças locais à sua candidatura.
Essa relação problemática também foi um fator determinante para a rejeição dos petistas à possibilidade de uma aliança com Kalil. Como alternativa, o PDT optou por fechar parceria com o PSDB, que indicou como vice na chapa o ex-deputado federal Carlos Mosconi, um dos fundadores do partido em Minas Gerais. A estratégia visa ampliar o espectro de votos, especialmente de centro e direita, na tentativa de fortalecer a candidatura de Kalil ao Governo do Estado.
No que diz respeito às candidaturas ao Senado, o PDT deve lançar o deputado federal Mário Heringer, que atualmente preside o partido em Minas Gerais. Para Heringer, a aliança com o PSDB é vista como uma oportunidade de agregar votos de diferentes espectros políticos, reforçando a candidatura de Kalil. Segundo ele, os votos de esquerda que Kalil possui atualmente já são dele e não devem migrar para outros candidatos, o que reforça a estratégia de ampliar a base de apoio com votos de centro e direita.
A avaliação do cenário eleitoral mineiro revela um quadro de polarização e de alianças que, segundo petistas, tendem a enfraquecer a força do campo progressista na disputa pelo governo estadual. A estratégia do PDT de buscar apoio junto ao PSDB é interpretada como uma tentativa de ampliar o espectro de apoio, embora seja vista por integrantes do PT como uma iniciativa que pode prejudicar a unidade da esquerda e reduzir o potencial de votos de candidatos alinhados com esse espectro político.









