Após sofrer uma nova lesão muscular na coxa esquerda, o atacante colombiano Sinisterra, do Cruzeiro, viajou até a Finlândia para passar por um procedimento cirúrgico realizado pelo médico Lasse Lempainen, considerado uma das maiores referências mundiais no tratamento de lesões musculares em atletas de alto rendimento. A decisão de buscar um especialista com atuação a milhares de quilômetros do Brasil levanta questões sobre a importância da experiência internacional na recuperação de atletas de elite.
Segundo o fisioterapeuta Marcio Oliveira, especialista pela Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil), a escolha por Lempainen se justifica pela combinação de experiência clínica, volume elevado de procedimentos realizados e produção científica relevante. Oliveira explica que o médico finlandês possui uma formação reconhecida internacionalmente por reunir três características que, na prática, são raramente encontradas juntas em um único profissional: alta especialização em lesões musculares e tendíneas dos membros inferiores, uma grande quantidade de cirurgias realizadas e uma produção acadêmica consistente.
Antes de atender Sinisterra, Lempainen já havia tratado diversos atletas de destaque, incluindo nomes como Militão, Malcom, Dembelé, Nuno Mendes, Madueke, Reece James e Ter Stegen. Sua atuação concentra-se no tratamento de lesões comuns em atletas de alta performance, especialmente aquelas envolvendo os músculos isquiotibiais, reto femoral, quadríceps, adutores e tendão calcâneo. Essa especialização faz com que ele possua ampla experiência não apenas na execução de cirurgias, mas também na avaliação do momento mais adequado para a intervenção cirúrgica, bem como na integração do procedimento com programas de reabilitação esportiva.
Marcio Oliveira destaca que a combinação de experiência, especialização e resultados consistentes é o que diferencia o trabalho de Lempainen. Ele reforça que o médico dedica sua carreira ao tratamento de lesões musculares e tendíneas complexas, frequentemente recorrentes ou de maior gravidade, que exigem precisão técnica elevada. Além disso, Oliveira aponta que o trabalho do especialista envolve uma abordagem integrada, que une cirurgia e reabilitação, fator fundamental para o sucesso do retorno do atleta às atividades de alto rendimento.
Para casos específicos, a cirurgia é recomendada quando há ruptura completa ou extensa do tendão, retração significativa do tecido, perda da continuidade da junção miotendínea, comprometimento relevante da função muscular ou dificuldades na cicatrização. A decisão também leva em consideração o quadro clínico, o mecanismo da lesão, as funções afetadas e as exigências da modalidade praticada pelo atleta, não sendo baseada apenas em exames de imagem.
Após a intervenção, o foco passa a ser a recuperação completa da capacidade física do atleta, iniciando-se com a proteção do tecido reparado, seguida por etapas de recuperação da mobilidade, fortalecimento muscular e exercícios específicos às demandas do esporte. Oliveira ressalta que a liberação para o retorno aos gramados não deve ocorrer apenas pelo tempo de recuperação ou exames favoráveis, mas sim por uma avaliação criteriosa de fatores como força, potência, controle neuromuscular e resistência às cargas de treino. O objetivo é garantir que o atleta retorne não apenas às competições, mas em condições de alcançar sua máxima performance.
Ele também enfatiza que o processo de recuperação deve ser individualizado, visando não apenas a recuperação física, mas também a reconstrução da confiança do atleta para competir em alto nível. Segundo Oliveira, o conceito de “confiança suprema” envolve o sentimento de preparação plena, além do atingimento de todos os parâmetros técnicos e físicos.
Sinisterra passou por cirurgia na última segunda-feira, dia 3 de agosto, e iniciará o pós-operatório na Europa. Desde sua chegada ao Cruzeiro, o atacante colombiano tem enfrentado uma sequência de problemas musculares, incluindo um estiramento na coxa direita em setembro do ano passado, seguido de uma recuperação que permitiu sua participação em duas partidas em outubro, vindo do banco de reservas, antes de sofrer nova lesão na coxa esquerda, que o afastou novamente dos gramados.








