As cinco principais candidaturas à Presidência da República nas eleições de 2026 não incluem mulheres em posições de liderança, seja como candidatas à presidência ou como vice-presidentes. A constatação foi feita pelo analista político Teo Cury durante transmissão ao vivo na CNN nesta quinta-feira (6), que classificou o cenário como “inédito em décadas”.
As chapas lideradas por nomes como Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) optaram por candidatar homens às posições de vice-presidência, reforçando a ausência de mulheres nas candidaturas principais. Essa configuração contrasta com o que ocorreu na eleição de 2022, quando figuras femininas como Simone Tebet (hoje no PSB) e Marina Silva (Rede) disputaram a presidência, e Katia Abreu (atualmente no PT) foi candidata a vice de Ciro Gomes (que na época integrava o PSDB).
Embora candidatas femininas estejam presentes na disputa, segundo Cury, elas ocupam chapas menos competitivas e têm participação insignificante nas intenções de voto deste ano. Entre as candidatas presidenciais com chapas 100% femininas, estão Clariana Barão, do Democratas, com Fabiana Torquato como vice, e Samara Martins, do União Popular, ao lado de Raquel Brício. Ainda há candidatas a vice-presidência, como Tenente Dalma, na chapa de Leonardo Avalanche (PRTB); Cleusa Santos, ao lado de Edmilson Dias (PCB); e Vanessa Portugal, que compõe a chapa de Hertz Dias (PSTU).
Para além das questões de diversidade, Cury destacou que a ausência de mulheres nas principais chapas configura um erro estratégico. Segundo ele, esses candidatos dependem do voto de uma maioria do eleitorado brasileiro, que é composta predominantemente por mulheres. Estima-se que cerca de 83 milhões de eleitoras estejam aptas a votar nas próximas eleições, e o analista relembrou que, em 2022, esse segmento foi decisivo tanto para a reeleição de Lula quanto para a derrota de Jair Bolsonaro.
O analista também ressaltou que Flávio Bolsonaro foi o candidato que mais tentou incluir uma mulher na sua chapa, chegando a sugerir nomes como Tereza Cristina, do Progressistas, Daniella Marques, do Republicanos, e Michelle Bolsonaro, do PL, embora sem sucesso. A escolha final foi Alfredo Gaspar, do PL, como vice. Cury destacou uma contradição entre o discurso e a prática dos candidatos, uma vez que, enquanto alguns defendem propostas de independência financeira para as mulheres ou o combate ao feminicídio, nenhuma das principais candidaturas apresenta mulheres em suas equipes de vice ou como candidatas à presidência.
Além da ausência feminina, o analista apontou que quatro das cinco principais chapas são compostas por membros do mesmo partido, o que evidencia um isolamento político. As candidaturas de Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema contam com vice-presidentes do mesmo partido, respectivamente Alfredo Gaspar (PL), Gilberto Kassab (PSD), Aroldo Medina (Missão) e Eduardo Girão (Novo). Cury explicou que essa configuração reflete o afastamento de grandes partidos do centro político, como MDB, União Brasil, Republicanos e Progressistas, que optaram por não participar de coligações com esses candidatos, contribuindo para o cenário de fragmentação e polarização das candidaturas.







