O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) determinou que o Grupo Oi implemente medidas imediatas relativas ao imóvel que sofreu um incêndio neste domingo, 9 de outubro, no bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Segundo o órgão, a edificação apresenta sinais evidentes de abandono, degradação e constitui risco à segurança pública, o que motivou a intervenção.
O incêndio teve início na tarde do domingo e mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG). A estrutura, que vinha sendo ocupada por pessoas em situação de rua, foi parcialmente consumida pelas chamas. Durante as operações de combate às chamas, uma mulher de aproximadamente 30 anos foi resgatada e encaminhada ao Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, com queimaduras nas vias aéreas devido à inalação de fumaça quente.
O prédio pertence ao Grupo Oi, atualmente em recuperação judicial, processo que tramita na Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Em decorrência disso, o Ministério Público de Minas Gerais enviou um ofício de cooperação ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), solicitando providências urgentes para o imóvel. A iniciativa visa garantir que a empresa tome medidas concretas para mitigar riscos e evitar novos incidentes.
Entre as ações recomendadas pelo MP estão o fechamento físico dos acessos ao imóvel, a instalação de vigilância, a realização de inspeções técnicas, a limpeza da área e a implementação de medidas para reduzir os riscos à integridade de moradores, pedestres e a comunidade local. A prioridade, conforme o órgão, é assegurar uma resposta coordenada, rápida e juridicamente fundamentada para prevenir futuras tragédias e proteger a segurança pública.
Até o momento, a Oi não se manifestou oficialmente sobre o ocorrido, e a reportagem da Itatiaia aguarda posicionamento da empresa. A matéria será atualizada assim que houver uma resposta oficial.
Na manhã desta segunda-feira, 10 de outubro, uma vistoria realizada pela Defesa Civil de Belo Horizonte identificou danos estruturais no imóvel localizado na Avenida Prudente de Morais, nº 1.001. A inspeção revelou trincas, risco de queda de vidros sobre a via pública, além de danos em diferentes áreas da edificação, especialmente na estrutura atingida pelo incêndio. Foram constatadas deformações na laje, desplacamento de reboco, danos no piso e acúmulo de materiais no segundo pavimento, onde o fogo foi mais intenso.
No primeiro andar, também foram observadas trincas e a queda de vidros das janelas, o que levou à necessidade de isolamento e sinalização preventiva do passeio público. No térreo, a vistoria revelou a queda de materiais, danos nas instalações elétricas e desplacamento de reboco. O mezanino apresentou trincas e partes de reboco desprendidas, aumentando o risco de novos desprendimentos.
Moradores das edificações vizinhas relataram que o incêndio era uma situação de risco iminente, com alertas constantes às autoridades. Sérgio Cordeiro, síndico de um prédio localizado logo atrás do imóvel incendiado, afirmou que o movimento no local era frequente e que os alertas às autoridades públicas vinham sendo feitos há pelo menos dois meses. Ele revelou que, na última sexta-feira, a vigilância sanitária esteve na área e foi mostrado que fios estavam sendo queimados dentro do prédio, o que gerava preocupação, especialmente por ficar próximo ao depósito de gás de seu prédio.
A situação de abandono do imóvel, somada à sua deterioração, reforça a necessidade de ações rápidas por parte das autoridades e da própria empresa proprietária, a fim de evitar novas tragédias e garantir a segurança da população local. A falta de intervenção adequada tem sido alvo de críticas por parte dos moradores, que temem uma nova ocorrência de acidentes graves ou até mesmo uma tragédia maior.








