A relação de bens apresentada pelos candidatos a cargos de deputado estadual e federal em Minas Gerais revela inconsistências notáveis entre os valores declarados e os preços praticados no mercado, levantando suspeitas de erros de digitação ou cálculos incorretos durante o preenchimento dos registros junto à Justiça Eleitoral.
De acordo com dados já protocolados no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quatro dos cinco candidatos mais ricos do pleito mineiro apresentaram declarações de bens com valores que parecem incompatíveis com a realidade econômica. Essas divergências chamam atenção por envolverem itens de alto valor, cujos preços declarados ultrapassam em muito os valores de mercado, sugerindo possíveis equívocos na digitação ou na formulação das declarações.
O candidato mais destacado nesse cenário é Antônio Adonis, ex-prefeito de Juatuba, que declarou possuir mais de R$ 1 bilhão em bens. Entre os itens listados por ele, há um carro Volkswagen Fox avaliado em R$ 55 milhões, uma casa na mesma cidade de Juatuba avaliada em R$ 550 milhões, e uma residência em Belo Horizonte avaliada em R$ 400 milhões. Esses valores, porém, contrastam fortemente com as referências do mercado imobiliário e automotivo, como a tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que indica que o preço máximo de um Volkswagen Fox no mercado nacional não ultrapassa R$ 70 mil.
Na segunda colocação entre os candidatos mais ricos está Lerin, do Democrata, que declarou possuir um patrimônio de R$ 640,7 milhões. Sua lista inclui um apartamento avaliado em R$ 350 milhões e um automóvel Honda avaliado em R$ 54 milhões, valores que também destoam do valor de mercado para esses bens, levando a questionamentos sobre a precisão da declaração.
O terceiro na lista é Alvamiro Alves Branco, do PDT, que afirmou possuir um lote com casa e garagem avaliado em R$ 400 milhões. Apesar de não haver inconsistências evidentes na declaração dele, o valor declarado também é elevado para os padrões imobiliários do estado.
O quarto colocado é Vittorio Medioli, empresário e ex-prefeito de Betim, atualmente candidato a deputado estadual pelo Partido Liberal (PL). Sua declaração de bens soma aproximadamente R$ 356,8 milhões, sem aparentes discrepâncias em relação aos valores declarados.
Por fim, Cabo Gregório Silva, do Democrata, ocupa a quinta posição com uma declaração de patrimônio de R$ 298 milhões. Sua lista inclui veículos de alto valor, como um Chevrolet Onix 2021 avaliado em R$ 59 milhões, uma Fiat Strada de R$ 72 milhões, um Ford Ka de R$ 45 milhões e um Fiat Uno de R$ 27 milhões. Além disso, ele declarou possuir R$ 95 milhões em dinheiro em espécie, valores que também parecem incompatíveis com os preços de mercado dessas categorias de bens.
O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) informou que candidatos ou partidos podem solicitar a atualização dos valores declarados, por meio de petição nos autos do processo de registro de candidatura, para corrigir possíveis erros. Caso essa solicitação não seja feita até o prazo final, que se encerra em 15 de agosto, os valores originalmente declarados serão considerados na análise da prestação de contas.
A reportagem tentou contato com os candidatos cujas declarações apresentam valores potencialmente incorretos, mas não obteve respostas até o momento. O canal permanece aberto para manifestações, enquanto as inconsistências levantam discussões sobre a transparência e a precisão das informações prestadas pelos postulantes às eleições em Minas Gerais.





