Uma operação de segurança altamente sigilosa foi conduzida pelo Serviço Secreto dos Estados Unidos para proteger Donald Trump durante uma viagem internacional, envolvendo a retirada do presidente do seu transporte oficial, o Air Force One, de forma clandestina e usando um método de disfarce. A ação ocorreu na ocasião da saída de Trump de Ancara, na Turquia, após a participação na cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em início de julho, e foi motivada por ameaças específicas relacionadas às tensões entre os Estados Unidos e o Irã.
Segundo reportagens do jornal The Washington Post, ao deixar a Turquia, Trump embarcou no Air Force One sob a observação de diversos jornalistas presentes. No entanto, após a decolagem, o presidente foi conduzido de maneira furtiva por uma porta diferente daquela pela qual entrou, entrando em um caminhão de catering — veículo utilizado para transportar refeições às aeronaves — com o objetivo de evitar qualquer reconhecimento ou registro visual por parte da imprensa ou de possíveis observadores. O transporte então levou Trump até uma outra aeronave, um C-32A da Força Aérea dos EUA, que foi utilizado para sua continuidade na viagem.
A operação foi corroborada por fontes anônimas ouvidas pelo The Washington Post, incluindo um oficial norte-americano com conhecimento direto do procedimento, além de relatos semelhantes publicados pelo The New York Times, que também citou autoridades não identificadas. A estratégia de deslocamento disfarçado foi considerada uma medida de precaução frente às ameaças que o presidente poderia enfrentar, especialmente em um momento de escalada das tensões com o Irã, país que faz fronteira com a Turquia.
Detalhes adicionais indicam que, na mesma ocasião, uma aeronave identificada como Reach 18 foi detectada pousando na base aérea de Mildenhall, na Inglaterra, na mesma região onde o Air Force One foi visto. Essa aeronave tinha seus sistemas de vigilância ADS-B e MODE-S desligados — tecnologias modernas que transmitem informações precisas de localização, velocidade, altitude e identificação da aeronave — uma ação que reforça a hipótese de uma operação de ocultação e proteção de Trump.
A decisão de utilizar um modelo de Air Force One mais antigo, ao invés do avião de última geração, também chamou atenção. Trump optou por deixar Ancara em um avião mais antigo, doado pelo Catar, alegando motivos de nostalgia, mas a escolha gerou questionamentos sobre a segurança e os custos associados às atualizações tecnológicas mais recentes. A viagem marcou a primeira missão internacional do novo avião, que passou por rápidas atualizações, levantando dúvidas sobre sua confiabilidade e segurança em contextos de conflito.
Antes de partir de Ancara, Trump anunciou, por meio de sua conta na rede social Truth Social, que utilizaria o avião mais antigo até a base aérea de Mildenhall, na Inglaterra, enquanto o novo avião faria uma escala na mesma base para permitir que militares americanos estacionados ali pudessem visitá-lo. A decisão de usar um transporte mais antigo, além de suscitar debates sobre segurança, reforça a complexidade das operações de proteção ao presidente em momentos de risco elevado.
De acordo com o relato do Post, a operação de dissimulação foi desencadeada por uma ameaça considerada crível contra Trump, similar a ações anteriores, como a de 2000, quando o então presidente Bill Clinton utilizou um jato executivo sem identificação para sobrevoar o Paquistão, enquanto seu avião presidencial, o Air Force One, era usado como isca. Na ocasião, jornalistas acreditavam estar a bordo do avião de Clinton, que foi disfarçado, com orientações para manter as persianas fechadas nas janelas da cabine de imprensa, além de alguns funcionários da Casa Branca também acreditarem que o presidente estava na aeronave de menor visibilidade.
Este episódio evidencia o nível de complexidade e o rigor das operações de segurança envolvendo o presidente dos Estados Unidos, especialmente em cenários de ameaças internacionais e tensões geopolíticas.








