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Países com Reivindicações de Soberania na Antártida e o Estado Atual das Disputas Territoriais

21/08/2026
Em Ciência
Tempo de leitura:3 minutos de leitura
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A Antártida, continente localizado no hemisfério sul, não possui atualmente nenhum país que exerça soberania plena sobre suas terras, devido ao sistema de governança estabelecido pelo Tratado da Antártida, assinado em 1959. Este acordo diplomático, que contou inicialmente com a assinatura de 12 países — Argentina, Austrália, Chile, França, Nova Zelândia, Noruega e Reino Unido entre eles —, foi posteriormente ampliado, chegando a 58 signatários, incluindo nações que passaram a aderir ao longo das décadas seguintes. O tratado regula o uso do continente, proibindo atividades militares, incentivando a pesquisa científica e impedindo que as reivindicações territoriais existentes sejam ampliadas ou novas sejam feitas enquanto estiver vigente, sem prazo de expiração, o que garante sua validade indefinida.

O Tratado da Antártida também conta com o Protocolo de Madri, assinado em 1991, que reforça a proteção ambiental do continente, proibindo a exploração de recursos minerais, mineração e perfuração para petróleo por tempo indeterminado. Além disso, estabelece a importância de considerar o meio ambiente em todas as atividades realizadas na região, consolidando a Antártida como uma reserva natural dedicada à paz e à ciência.

Apesar do marco legal, disputas por soberania permanecem, especialmente entre sete países que, desde a assinatura do tratado, reivindicam partes do território antártico. Esses países — Reino Unido, Nova Zelândia, França, Noruega, Austrália, Chile e Argentina — iniciaram suas reivindicações entre o início do século XX e a década de 1940, motivadas por explorações, descobertas e interesses geopolíticos. O artigo IV do tratado preserva as reivindicações existentes, mas impede que novas sejam feitas ou que as atuais sejam ampliadas enquanto o acordo estiver em vigor.

O Reino Unido foi o primeiro a reivindicar terras na região, em 1908, motivado por explorações e descobertas realizadas no início do século passado. A Nova Zelândia seguiu em 1923, justificando sua reivindicação pela herança britânica. A França começou suas ações em 1924, também por motivos de exploração e descobertas. A Noruega reivindicou em 1939, enquanto a Austrália, em 1933, alegou interesses ligados à exploração britânica e australiana. Chile e Argentina ingressaram na disputa em 1940 e 1943, respectivamente, fundamentando suas reivindicações na proximidade geográfica e na continuidade histórica de suas ações na região.

Além dessas reivindicações, há uma vasta área que permanece sem qualquer tipo de reivindicação formal, conhecida como Terra de Marie Byrd. Com uma extensão de aproximadamente 1,61 milhão de quilômetros quadrados, ela fica na Antártida Ocidental, ao leste da Plataforma de Gelo e do Mar de Ross, estendendo-se até a Costa de Eights. Apesar de não reivindicada, a região não é totalmente desabitada; uma base de pesquisa dos Estados Unidos, a Estação Byrd, opera no local, com uma equipe de 20 a 30 pessoas atuando durante os meses de verão.

O futuro da soberania na Antártida permanece incerto. Embora o Tratado não tenha data de validade, o Protocolo de Madri prevê uma revisão a partir de 2048, quando qualquer signatário poderá solicitar uma conferência para reavaliar as regras do tratado. Há temores de que, após essa data, a região possa ser alvo de exploração indiscriminada de recursos naturais, principalmente minerais, o que poderia alterar o status de preservação do continente. No entanto, dispositivos existentes no próprio protocolo, como a necessidade de consenso para mudanças e a exigência de um regime jurídico específico para a exploração mineral, visam impedir que ações unilaterais ou predatórias sejam adotadas.

Por ora, a comunidade internacional reafirma a proibição da exploração mineral na região, com os países membros do sistema antártico assinando, em 2023, uma resolução que reforça essa posição. Assim, o cenário da disputa na Antártida permanece marcado por uma combinação de acordos internacionais que buscam preservar o continente para fins científicos e ambientais, enquanto as questões de soberania e o potencial de recursos naturais continuam a alimentar debates e incertezas sobre o seu futuro.

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