Em entrevista concedida à Itatiaia durante sabatina com candidatos ao Governo de Minas Gerais, o governador Mateus Simões (PSD) abordou as tensões com as forças de segurança e comentou a situação da criminalidade no estado, destacando que as críticas recebidas por servidores policiais não representam um obstáculo à sua gestão. Simões afirmou que sua relação com as forças de segurança é tranquila e aberta, e que, apesar das manifestações ocorridas durante os mandatos anteriores, o cenário atual é mais estável em comparação com os últimos seis períodos eleitorais.
O governador, que foi vice de Romeu Zema (Novo), reconheceu que os governos anteriores enfrentaram protestos de policiais e policiais civis por melhorias nas condições de trabalho e por recomposição salarial. No entanto, afirmou que, no momento, a relação com as forças de segurança é de diálogo constante, e que o governo tem realizado ações concretas para aprimorar as condições desses profissionais. Entre as medidas citadas, Simões destacou quatro reajustes inflacionários, a criação de uma verba que triplicou o auxílio fardamento, além do pagamento de um auxílio alimentação de R$ 1.000 por mês, que foi criado mesmo em anos sem reajustes, e de mais R$ 500 mensais concedidos aos policiais em anos de reajuste.
Ao falar sobre as condições de trabalho dos policiais, o governador admitiu que a estrutura da Polícia Civil é uma preocupação maior, especialmente no que tange à reforma das unidades da corporação. Ainda assim, destacou avanços como a renovação total de viaturas e a aquisição de sete mil armas para os agentes de segurança, ações que visam melhorar a operacionalidade e a segurança dos profissionais.
Simões também foi questionado sobre a crescente violência e o aumento do número de mortes em presídios, que triplicaram entre 2021 e 2025, segundo dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp). Para ele, essa questão é considerada secundária na sua gestão, já que o foco principal é garantir boas condições de trabalho para os policiais penais e ampliar a capacidade prisional do estado. O governador afirmou que planeja construir 20 novos presídios, mas que não está preocupado com o conforto dos presos, reforçando que a prioridade é a segurança dos profissionais que atuam na linha de frente.
Durante a entrevista, Simões ressaltou que a preocupação com o bem-estar dos detentos, embora ideal, não faz parte das prioridades atuais do governo. Segundo ele, a prioridade é investir na segurança de quem trabalha nas forças policiais e na estrutura de segurança pública, deixando para um momento futuro a discussão sobre o conforto dos presos. O governador reforçou ainda que, para ele, os presos que estão nas unidades prisionais praticaram crimes e, portanto, deveriam aceitar as condições de confinamento, ressaltando que o governo busca equilibrar suas ações entre a expansão da infraestrutura e a manutenção da ordem pública.








