A atriz Laura Cardoso, uma das pioneiras e referências da dramaturgia brasileira, faleceu nesta terça-feira (18), aos 98 anos, na cidade de São Paulo. A notícia foi confirmada por familiares e fontes próximas, marcando o fim de uma trajetória artística que se estendeu por mais de sete décadas e que consolidou seu nome como uma das maiores figuras da televisão no Brasil.
Nascida em 1927, no bairro do Bixiga, na capital paulista, Laurinda de Jesus Cardoso Balleroni era filha de imigrantes portugueses. Sua carreira artística teve início aos 15 anos, quando começou a atuar no radioteatro, uma das primeiras plataformas de expressão artística no país. Sua participação nesse segmento marcou o início de uma trajetória que, posteriormente, a levaria a se tornar uma das pioneiras na televisão brasileira, que começava a se consolidar na década de 1950.
Em 1952, Laura Cardoso estreou na televisão na emissora TV Tupi, na programação do programa “Tribunal do Coração”, que era uma das primeiras produções da recém-inaugurada emissora. Ao longo de sua carreira, ela acumulou mais de 100 trabalhos em diferentes plataformas e participou de mais de 60 novelas, atuando em emissoras como TV Tupi, Excelsior, Record, Cultura e, principalmente, na Globo, onde sua trajetória se tornou ainda mais destacada.
Na TV Globo, que ela passou a integrar em 1981, Laura construiu uma das carreiras mais longas e sólidas da emissora. Sua estreia ocorreu na novela “Brilhante”, e, ao longo dos anos, ela se tornou uma presença constante na dramaturgia da emissora, mantendo um contrato vitalício com o canal. Apesar de estar afastada das novelas desde 2019, ela permaneceu como uma figura emblemática e respeitada por colegas e fãs.
Seu último papel em uma produção de televisão foi como Matilde Azevedo na novela “A Dona do Pedaço”, exibida em 2019. Em outubro de 2025, ela participou da inauguração de sua estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo e também gravou a tradicional vinheta de fim de ano da emissora, demonstrando sua ligação contínua com o meio artístico até os últimos dias.
Dentre os papéis que marcaram sua carreira, destacam-se Isaura, mãe de Ruth e Raquel na novela “Mulheres de Areia” (1993), e Guiomar, na produção “A Viagem” (1994). Sua atuação em diferentes gêneros e personagens contribuiu para consolidar sua reputação como uma atriz versátil e de grande talento.
Além do sucesso na televisão, Laura Cardoso também recebeu diversos prêmios ao longo de sua trajetória. Entre eles, destacam-se o Prêmio Shell de Teatro, conquistado em 1990 e 1993, a Ordem do Mérito Cultural, concedida em 2006, e o Troféu APCA de Melhor Atriz, recebido em 1995 pelo papel de Sinhana no remake de “Irmãos Coragem”. Sua atuação no cinema também foi significativa, com mais de 20 filmes, incluindo títulos como “Terra Estrangeira” (1995) e “Através da Janela” (2000). Pelo trabalho neste último, recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Miami.
Na década de 1960, Laura Cardoso também atuou na dublagem, emprestando sua voz à personagem Betty na versão brasileira de “Os Flintstones”. Sua versatilidade se estendeu ainda ao teatro, onde também conquistou reconhecimento e prêmios.
Conhecida por sua disposição para continuar trabalhando e por sua postura natural ao falar sobre a morte, a atriz sempre demonstrou uma visão tranquila sobre o tema. Em 2006, afirmou: “A gente se aposenta quando vai embora”. Em entrevista à revista Quem, em 2019, reforçou sua visão, dizendo que não tinha medo da morte, considerando-a uma parte inevitável da vida.
A despedida de Laura Cardoso será realizada nesta terça-feira, no Funeral Home, localizado na Zona Oeste de São Paulo. A cerimônia terá início às 8h e está prevista para encerrar às 14h. O velório será fechado ao público, respeitando a privacidade da família neste momento de luto.









