Familiares e sobreviventes do grave acidente ocorrido na BR-040, em Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro, manifestaram insatisfação e denunciaram a ausência de apoio por parte da empresa Estrela Guia Turismo, responsável pelo transporte que resultou na morte de dez pessoas no último domingo, dia 16 de agosto. As vítimas, entre elas uma mulher de 38 anos e uma criança de 9 anos, estavam em um ônibus que, segundo relatos, morreu após uma série de falhas mecânicas, enquanto o veículo seguia rumo a Copacabana, no Rio de Janeiro.
Isis de Lima, de 44 anos, irmã de Dayanna de Lima Viana, de 38 anos, uma das passageiras que não resistiu aos ferimentos e foi sepultada na cidade de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, na terça-feira, dia 18, relatou a angústia vivida após o acidente. Ela revelou que, ao saber do ocorrido, entrou em contato com a empresa para obter informações sobre sua irmã e a sobrinha de apenas nove anos. Segundo Isis, foi atendida por um funcionário que, visivelmente abalado, comentou que havia perdido um filho na semana anterior e que, por isso, não tinha condições de prestar assistência ou dar respostas concretas. Ela afirmou que o funcionário prometeu retornar, mas até o momento não recebeu nenhum retorno, o que reforça a sensação de descaso por parte da companhia.
A dor das famílias agravou-se ainda mais com a ausência de qualquer tipo de auxílio ou contato por parte da empresa responsável pelo transporte. Maria Luíza Pereira, de 27 anos, que sobreviveu ao acidente, perdeu a filha de sete anos, Lavínia Eduarda, e a irmã, Priscilla de Souza Braz, de 31 anos. Ela denunciou que nenhuma mensagem de condolências ou suporte foi oferecida pela empresa, o que intensificou o sentimento de abandono. Diante da gravidade da situação, Isis viajou até o Rio de Janeiro para tratar das providências necessárias, uma vez que a empresa não prestou socorro nem se manifestou de forma alguma após o acidente.
A falta de comunicação e assistência por parte da Estrela Guia Turismo foi destacada pelas famílias, que se sentem desamparadas e desrespeitadas. Isis comentou que, apesar de a empresa ter custeado as despesas do traslado e do velório, ela não recebeu qualquer contato ou mensagem de condolências. “É como se a gente não fosse ninguém”, desabafou. Ela também relatou que a ficha ainda está se ajustando à perda de Dayanna, que deixou duas filhas, uma delas com ela no momento da viagem, e uma adolescente de 12 anos. A sobrevivente expressou esperança de que Deus dê forças para que possam ajudar as meninas a crescerem diante de tamanha tragédia.
Quanto ao acidente, o Instituto Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) informou que o ônibus envolvido não tinha autorização para realizar transporte interestadual de passageiros, o que levanta questionamentos sobre a regularidade da operação. A companhia, por sua vez, não foi localizada para comentar o caso, e seu perfil no Instagram foi desativado após o ocorrido. A tentativa de contato por telefone também não obteve sucesso.
Este episódio evidencia a negligência de empresas de transporte que operam sem a devida autorização e reforça a necessidade de fiscalização mais rigorosa por parte dos órgãos reguladores, além de revelar o profundo impacto emocional e social causado às famílias das vítimas, que permanecem sem respostas concretas ou apoio adequado diante de uma tragédia de proporções tão graves.








