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Estudo revela estratégia de caçada do maior tubarão luminoso do mundo, o Dalatias licha

20/08/2026
Em Ciência
Tempo de leitura:2 minutos de leitura
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Pesquisas recentes identificaram que o tubarão-kitefin (Dalatias licha), considerado o maior vertebrado luminoso conhecido até hoje, utiliza suas habilidades de bioluminescência de maneira sofisticada para caçar suas presas. Com aproximadamente 1,8 metro de comprimento, esse peixe apresenta uma capacidade de emitir luz graças a milhões de fotóforos — estruturas responsáveis pela produção de luz — distribuídos por sua barriga, barbatanas e flancos. Além de sua luminescência, o tubarão-kitefin é especialista em camuflagem, uma combinação que lhe confere vantagens na hora de se aproximar de suas presas, funcionando de forma similar a uma lanterna que também atua como capa de invisibilidade.

Normalmente, a luz emitida por animais que habitam as profundezas do oceano serve para atrair presas ou facilitar a busca por parceiros. No entanto, um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Católica de Lovaina, na Bélgica, revelou um uso diferenciado dessa capacidade. Os cientistas descobriram que o tubarão-kitefin manipula habilmente os raios de luz que incidem na superfície da água, criando um efeito de confusão para seus alvos durante a caçada. Enquanto a maioria das espécies que vivem em ambientes profundos emite luz por baixo, como estratégia de camuflagem contra predadores que se aproximam sorrateiramente, o D. licha adota uma tática distinta: ele nada na direção oposta à luz proveniente da superfície, tentando se misturar com ela, dificultando sua visualização por parte das presas durante a aproximação.

A pesquisa, publicada em 6 de agosto na revista científica iScience, analisou esse comportamento através da captura de oito exemplares do tubarão-kitefin. Os animais foram mantidos em tanques escuros, o que permitiu aos cientistas medir a intensidade do brilho emitido por suas peles e compará-la com a luz natural que chega às profundidades entre 480 e 540 metros, onde esses tubarões costumam viver. Os resultados mostraram que a luminescência do D. licha corresponde à intensidade da luz que incide na superfície da água, além de apresentarem comprimentos de onda — a distância entre os picos de uma onda de luz — nas cores azul e verde, que são facilmente percebidas pelos olhos humanos.

A manipulação da luz pelo tubarão-kitefin é uma estratégia altamente sofisticada. Ele se posiciona acima de peixes menores, ajustando sua angulação para que sua silhueta seja praticamente invisível às presas, graças ao ângulo em que a luz atinge seu corpo na posição vertical. Assim, a luz emitida por ele se mistura com a luz natural do ambiente, dificultando a detecção por parte das presas que olham de baixo para cima. Essa tática, conhecida pelos pesquisadores como “hipótese do holofote”, consiste em o tubarão suprimir sua silhueta vertical enquanto emite uma luminescência lateral ampla, que ilumina o campo de visão da presa e facilita seu ataque.

Durante a caçada, o tubarão se aproxima por cima das presas, utilizando a luz lateral para ampliar seu campo de visão e localizar o alvo. Ao fazer isso, consegue manter sua posição oculta até o momento do ataque, aproveitando a combinação de camuflagem e iluminação para aumentar suas chances de sucesso. Essa estratégia complexa demonstra uma adaptação evolutiva que maximiza a eficiência na captura de alimentos em ambientes de baixa luminosidade, refletindo uma evolução notável na biologia de um dos maiores peixes luminosos do oceano.

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