A candidata da Unidade Popular (UP) ao governo de Minas Gerais, Indira Xavier, afirmou nesta sexta-feira (21), durante entrevista na série de sabatinas promovida pelo portal Itatiaia, que a administração pública do estado deve ser conduzida de forma coletiva, com participação direta da população mais afetada pelos problemas locais. Ela destacou que quem enfrenta as dificuldades diárias, como mobilidade urbana, segurança pública e acesso a serviços essenciais, deve exercer o poder de decidir para onde as riquezas de Minas devem ser direcionadas.
Indira Xavier reforçou que seu projeto político é fundamentado na proposta de um governo popular e coletivo, enfatizando que somente assim será possível resolver os principais desafios do estado. Segundo ela, é fundamental que as pessoas que vivenciam as adversidades de Minas Gerais tenham voz ativa na gestão pública, assumindo o papel de governantes para determinar as prioridades de investimento e distribuição dos recursos públicos.
A candidata também abordou questões relacionadas à situação financeira do estado, criticando a dívida de aproximadamente R$ 180 bilhões que Minas Gerais mantém com a União. Ela afirmou que essa dívida, avaliada como uma das maiores do país, não é legítima e sugeriu a realização de uma auditoria para apurar a origem e a validade desses débitos junto ao governo federal. Além disso, questionou a adesão do estado ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), uma iniciativa que visa o parcelamento de débitos federais, mas que, na visão de Xavier, limita o desenvolvimento social e o investimento em áreas essenciais.
Indira Xavier argumentou que, apesar de Minas ser uma das maiores economias do Brasil, com recursos consideráveis, uma parcela significativa desses recursos é desviada do povo, contribuindo para um suposto déficit da União com o estado. Ela questionou o fato de o governo federal ser quem, na sua avaliação, deve ser o devedor, e não Minas Gerais, que possui uma economia robusta e potencial para gerar recursos próprios.
Outro ponto destacado pela candidata refere-se à carga tributária incidente sobre setores como mineração e agronegócio. Ela afirmou que esses setores pagam uma porcentagem de impostos inferior àquela cobrada da população em geral, e que esses recursos, ao invés de retornarem ao estado, seguem para a União. Para ela, essa dinâmica cria uma espécie de superávit do estado em relação ao governo federal, que não estaria sendo devidamente considerado nas políticas de repasse de recursos.
Por fim, Indira Xavier criticou o impacto dessas políticas na área social, destacando que programas de contingenciamento de despesas, como o Propag, acabam por restringir investimentos em saúde, educação e outras áreas essenciais. Ela afirmou que essas medidas dificultam a realização de concursos públicos e impedem o pagamento do piso salarial dos trabalhadores do setor público, prejudicando diretamente a população mais vulnerável de Minas Gerais.









