O senador Carlos Viana (PSD-MG) manifestou críticas ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), pelo modo como vem conduzindo as discussões relacionadas ao pedido de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar possíveis ligações do empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, com lobistas e empresários. A declaração ocorre em meio à mobilização de Viana para obter as assinaturas necessárias à instalação da comissão, que visa aprofundar investigações sobre as relações de Lulinha, filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com agentes do setor privado.
De acordo com o senador, a intenção é protocolar o pedido de CPMI junto à presidência do Congresso assim que alcançar o número mínimo de apoiadores, previsto em regra para a criação de comissões parlamentares. Viana afirmou que, caso Davi Alcolumbre não dê andamento ao processo após a coleta das assinaturas, a responsabilidade política pela decisão recairá sobre o próprio presidente do Congresso. “Tenho confiança de que, assim que conseguirmos as assinaturas, levaremos o pedido ao presidente do Congresso Nacional e, se ele não atuar, o peso político será dele”, declarou Viana.
O parlamentar também criticou a postura de Alcolumbre, acusando-o de ser omisso diante das expectativas da sociedade em relação às investigações. Segundo Viana, há uma necessidade de o Congresso avançar nas apurações, mesmo durante o período eleitoral, para atender ao clamor popular por transparência e responsabilização. “Davi Alcolumbre tem se mostrado omisso em relação ao que a população espera do Congresso Nacional”, afirmou, reforçando sua posição de que o Legislativo deve atuar de forma mais firme frente às denúncias.
Além disso, Viana direcionou críticas à aproximação de Alcolumbre com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Para o senador, esses encontros indicam uma estratégia política do presidente do Senado para buscar apoio à sua reeleição, ao mesmo tempo em que tentam manter o Congresso distante de temas considerados sensíveis ou que possam gerar desgaste ao governo. “Ele tem se reunido com o ministro Moraes e com Lula, o que, na minha opinião, demonstra uma tentativa de trabalhar sua reeleição, enquanto mantém o Congresso em silêncio diante de escândalos que surgem”, afirmou.
A proposta de criar a CPMI é parte de uma iniciativa de Viana para aprofundar as investigações sobre as possíveis relações de Lulinha com lobistas e empresários, incluindo a possibilidade de convocar envolvidos e realizar quebras de sigilo. O senador destacou que pretende manter a pressão sobre a cúpula do Congresso para que o pedido avance e que a população tenha uma resposta concreta às denúncias. “Nós não podemos aceitar, eu não vou aceitar. Como parlamentar, minha voz se levantará para que o Congresso responda ao povo brasileiro com investigações sérias e transparentes”, declarou.
A instalação efetiva da CPMI depende da obtenção do número mínimo de assinaturas de deputados e senadores, procedimento que deve ser formalizado através do protocolo do pedido à Presidência do Congresso, responsável por autorizar a criação da comissão. O movimento de Viana ocorre em um momento de maior atenção às investigações envolvendo o núcleo político do ex-presidente Lula e seus aliados, reforçando a pressão por transparência e fiscalização no âmbito parlamentar.









