O sargento Eduardo Abner foi formalmente indiciado pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) pelo homicídio qualificado da capitã Michele Leão Azevedo, ocorrida em 20 de julho de 2026, em uma cobertura no bairro Palmares, na região Nordeste de Belo Horizonte. Além do feminicídio, ele também responde por crimes de lesão corporal em contexto de violência doméstica, tráfico de drogas, fraude processual e por ter tentado interferir na investigação, adotando ações que visaram ocultar provas do crime.
Segundo as investigações, Eduardo Abner, que estava preso desde o momento do ocorrido, tentou manipular a cena do crime e o processo policial de diversas formas. Entre as ações atribuídas ao suspeito estão a lavagem de roupas de cama ensanguentadas, a ocultação de um pedaço de madeira quebrado na lixeira de uma escada de incêndio e a exclusão de fotos de lesões do celular da vítima, Michele Leão Azevedo. Essas ações indicam uma tentativa de dificultar a apuração dos fatos e de apagar evidências que poderiam relacioná-lo ao homicídio.
O inquérito, concluído pela Polícia Civil e encaminhado ao Ministério Público na última sexta-feira, detalha ainda que Michele morreu devido a um politraumatismo contuso provocado por objetos contundentes. A investigação aponta que o crime foi cometido sob circunstâncias suspeitas, incluindo a possibilidade de tortura e uso de meios cruéis, especialmente considerando que Michele tinha um filho autista, o que reforça a gravidade do caso.
O suspeito foi indiciado na modalidade majorada, que prevê aumento de pena devido às circunstâncias agravantes presentes, como o contexto de violência doméstica e a natureza do crime. A Polícia Civil também solicitou a manutenção da prisão preventiva de Eduardo Abner, que permanece detido enquanto o caso tramita nas instâncias judiciais.
Além do feminicídio qualificado, Eduardo Abner foi indiciado por tráfico de drogas, uma vez que a investigação apontou a existência de envolvimento com atividades ilícitas relacionadas ao uso e ao comércio de entorpecentes. A acusação de fraude processual refere-se às ações de tentativa de manipulação da cena do crime e de provas, enquanto a de lesão corporal está relacionada a uma agressão ocorrida em 16 de julho, quatro dias antes do homicídio, na qual Michele teria sido ferida por ele.
A conclusão do inquérito marca um passo importante no andamento do caso, que agora será avaliado pelo Ministério Público, responsável por analisar as provas, os indiciamentos e decidir sobre as próximas medidas judiciais. Enquanto isso, Eduardo Abner permanece preso, aguardando o desfecho das ações penais que podem resultar em sua responsabilização criminal.








