Os deputados federais Alencar Santana (PT-SP) e Rogério Correia (PT-MG) apresentaram nesta terça-feira, 25 de outubro, uma notícia de fato à Polícia Federal solicitando a abertura de investigação para apurar possíveis vínculos entre o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), e suspeitos envolvidos em um esquema de fraude no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A denúncia busca esclarecer se recursos desviados, relacionados a uma operação que investiga um esquema bilionário de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas, chegaram, de forma direta ou indireta, ao senador ou a pessoas vinculadas ao seu escritório de advocacia.
Na representação, os deputados solicitaram à Polícia Federal que realize cruzamentos de dados bancários, fiscais, financeiros e societários com o objetivo de identificar possíveis movimentações financeiras ilegais que possam estar relacionadas ao esquema investigado. A iniciativa busca determinar se recursos obtidos por meio de fraudes no INSS tiveram conexão com o senador ou com indivíduos ligados ao seu escritório de advocacia, ampliando o escopo da investigação para possíveis vínculos políticos ou financeiros.
Um dos principais pontos destacados pelos parlamentares refere-se à atuação de Letícia Caetano dos Reis, que administra a sociedade de advocacia de Flávio Bolsonaro desde a sua fundação. Ela é irmã de Alexandre Caetano dos Reis, identificado em relatório da Polícia Federal como sócio de Antônio Carlos Camilo dos Reis, conhecido como “Careca do INSS”. Este último é considerado um dos principais operadores do esquema de fraudes e desvios investigados na Operação Sem Desconto, que apura um esquema que pode envolver bilhões de reais desviados de benefícios previdenciários.
Além disso, a representação menciona o advogado Willer Tomaz, apontado como responsável por indicar Letícia Caetano dos Reis para atuar no escritório de Flávio Bolsonaro. Segundo os deputados, relatórios de inteligência financeira indicam movimentações financeiras próximas a R$ 45,5 milhões relacionadas a Willer Tomaz, incluindo um pagamento de R$ 120 mil a um operador financeiro ligado ao “Careca do INSS”. Essas informações reforçam as suspeitas de possíveis conexões financeiras entre o senador e os envolvidos no esquema de fraude.
Os deputados também afirmaram que apresentaram sete requerimentos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, com o objetivo de aprofundar as investigações. Entre as solicitações estão pedidos de convocação de Flávio Bolsonaro e de acesso a informações financeiras relacionadas ao senador, ao seu escritório de advocacia e a Letícia Caetano dos Reis. Contudo, os parlamentares destacaram que esses requerimentos não foram votados pela presidência ou pela relatoria da CPMI, o que limita o avanço das apurações no âmbito do colegiado.
Em nota oficial, Alencar Santana e Rogério Correia afirmaram que, apesar da ausência de deliberação na CPMI, as investigações devem continuar de forma independente. Os parlamentares reforçaram a expectativa de que a Polícia Federal prossiga com as apurações para verificar se há alguma relação financeira entre o esquema de fraudes no INSS e pessoas próximas ao senador, incluindo possíveis vínculos políticos ou econômicos. A iniciativa ocorre em um momento de intensificação das investigações sobre o esquema de desfalques bilionários e reforça o esforço dos deputados petistas em ampliar o escopo da apuração, buscando transparência e responsabilização.









