O candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, voltou a solicitar ao irmão, Eduardo Bolsonaro, que reduza os ataques públicos a aliados durante o período eleitoral. A orientação foi transmitida por telefone após Eduardo compartilhar e endossar, no último domingo (24), um vídeo com críticas à candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal.
Segundo apurou a reportagem, o episódio ocorreu após Eduardo divulgar uma postagem feita pelo influenciador Allan dos Santos, que criticava a candidatura de Michelle e manifestava preferência por outros nomes na disputa ao Senado na mesma região. Na publicação, Allan dos Santos afirmou que preferia a eleição da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) e do ex-desembargador Sebastião Coelho (Novo) às duas vagas ao Senado, em detrimento da candidatura de Michelle Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro comentou a postagem com a frase “triste, mas verdadeiro” e também republicou o conteúdo em suas próprias redes sociais, o que foi interpretado por aliados da ex-primeira-dama como um endosso às críticas e ao apoio a outros nomes na disputa.
No vídeo compartilhado por Allan dos Santos, Michelle é classificada como uma “incógnita” para a direita, e suas posições políticas são questionadas. A manifestação de Eduardo, ao comentar a postagem, foi vista por aliados de Michelle como uma sinalização de apoio às críticas e uma defesa de candidatos concorrentes às vagas no Senado pelo Distrito Federal.
A atitude de Eduardo Bolsonaro gerou insatisfação dentro do núcleo da campanha de Flávio Bolsonaro, que busca consolidar a reaproximação com Michelle e ampliar sua participação na campanha presidencial. Pessoas próximas ao grupo político avaliam que novas manifestações públicas de integrantes da família Bolsonaro podem reabrir disputas internas que vinham sendo controladas e podem desviar o foco da estratégia eleitoral.
De acordo com fontes próximas ao núcleo, este não foi o primeiro pedido de Flávio a Eduardo para que moderasse o tom das manifestações públicas. O próprio candidato presidencial já teria solicitado, inclusive durante viagens aos Estados Unidos, que o irmão evitasse ampliar conflitos internos no campo político e moderasse as críticas feitas por redes sociais.
O episódio envolvendo Eduardo Bolsonaro e Michelle Bolsonaro não é recente. A relação entre os dois se deteriorou durante a crise interna do Partido Liberal, ocorrida em junho, motivada pelas articulações políticas do partido no Ceará. Na ocasião, Michelle criticou a aproximação do PL com o grupo político de Ciro Gomes e defendeu a candidatura da vereadora Priscila Costa (PL-CE) ao Senado. Flávio Bolsonaro saiu em defesa da condução do partido e do deputado André Fernandes (PL-CE), o que gerou uma troca pública de críticas envolvendo também outros membros da família Bolsonaro.
Eduardo participou das críticas à ex-primeira-dama, que reagiu afirmando que os ataques haviam sido coordenados. Michelle afirmou na época que os ataques não partiram apenas de Eduardo, mas de outros irmãos, em uma ação coordenada e premeditada. Após o episódio, Michelle deixou de seguir Eduardo e Carlos Bolsonaro nas redes sociais, mas posteriormente, Flávio pediu desculpas publicamente à madrasta, foi perdoado, e Jair Bolsonaro atuou para tentar reconstruir a relação familiar.
Desde então, Michelle voltou a participar ativamente da campanha presidencial, realizando gravações de peças de propaganda, pedindo votos durante eventos no Distrito Federal e integrando a estratégia do PL para ampliar o apoio entre mulheres e eleitores evangélicos. A campanha também negocia uma participação mais frequente da ex-primeira-dama em agendas do candidato presidencial fora de Brasília, buscando fortalecer sua presença e influência na estratégia eleitoral.








