Pesquisadores do Departamento de Paleontologia da Universidade do Cairo, no Egito, anunciaram a descoberta de dentes fossilizados de cinco espécies distintas de tubarões no Planalto de Abu-Tartur, localizado na região sul do Deserto Ocidental do Egito. A descoberta, publicada na revista científica Cretaceous Research em 18 de agosto, amplia o conhecimento sobre a antiga presença de ambientes marinhos na área, que atualmente é um dos maiores desertos do mundo.
A região do Planalto de Abu-Tartur, durante o período do Cretáceo Superior, entre aproximadamente 145 e 66 milhões de anos atrás, era coberta por um mar tropical de águas quentes e rasas. Naquela época, o que hoje é o deserto era um ambiente marinho rico em biodiversidade, com uma cadeia alimentar complexa que incluía peixes, tartarugas e répteis. A evidência dessa antiga vida marinha foi reforçada por descobertas anteriores na mesma região, que indicaram a presença de fósseis de diferentes espécies aquáticas e depósitos de fosfato formados sob condições marítimas.
A atual pesquisa resultou na coleta de 14 dentes fossilizados de tubarões, que foram analisados com base em suas formas, tamanhos e características morfológicas. A comparação desses fósseis com registros existentes em museus e estudos anteriores permitiu a identificação de cinco espécies distintas, das quais duas eram desconhecidas na região do Egito até então. Além disso, uma dessas espécies nunca havia sido registrada na África, o que reforça a importância da descoberta para o entendimento da biodiversidade pré-histórica do continente.
Este conjunto de achados reforça a hipótese de que o ecossistema marinho que existia na região do atual deserto era altamente diversificado e capaz de sustentar uma cadeia alimentar complexa, incluindo pequenos peixes até grandes predadores, como os tubarões. A variedade de espécies encontradas sugere um ambiente marinho rico em nutrientes e com condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento de uma vida marinha abundante.
A região de Abu-Tartur, conhecida por seus depósitos de fosfato, já tinha se destacado anteriormente por evidências de um antigo ecossistema aquático, com fósseis de peixes, tartarugas e répteis. A descoberta dos dentes de tubarão amplia ainda mais esse quadro, oferecendo novas pistas sobre a composição e a dinâmica dos ambientes marinhos que existiram na área durante o Cretáceo Superior. A pesquisa contribui para o entendimento da evolução dos ecossistemas marinhos na África e reforça a importância de estudos paleontológicos na região, que continua revelando segredos de um passado remoto, quando o deserto era, na verdade, um mar tropical.






