O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) respondeu às declarações do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), feitas durante uma sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo, na última sexta-feira (28). Na ocasião, Flávio afirmou que não acredita que as atividades humanas sejam responsáveis pelo aquecimento global, atribuindo os fenômenos atuais a ciclos naturais e a eventos climáticos extremos, como calor excessivo, chuvas intensas e secas severas.
Durante a entrevista, o senador declarou que os fenômenos atuais seriam efeitos de ciclos naturais e não influenciados pela ação humana. Segundo ele, o que ocorre são “eventos climáticos extremos”, que resultam de variações cíclicas na natureza, e não de atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis ou desmatamento, apontados por grande parte da comunidade científica como fatores determinantes para o aquecimento global.
A reação de Lula às declarações de Flávio foi veemente e veio por meio de uma publicação nas redes sociais neste sábado (29). O presidente classificou a postura do senador como uma demonstração de “amadorismo irresponsável” diante de um tema de alta complexidade e relevância, sobretudo em um momento em que o mundo discute medidas de combate às mudanças climáticas. Lula criticou quem, ao negar a influência humana no aquecimento global, trata o tema de forma simplista, como uma questão de saneamento básico, e apontou que essa postura revela uma falta de compreensão científica e uma tentativa de vender soluções fáceis para problemas complexos.
Lula também fez referência ao fenômeno El Niño, que deve impactar o Brasil em 2026, e destacou ações do seu governo voltadas à preparação para eventos climáticos extremos. Entre as iniciativas, o presidente mencionou a criação de uma Sala de Situação que reúne 24 ministérios e especialistas para monitorar e avaliar os possíveis efeitos do fenômeno. Segundo Lula, a estratégia inclui ações de prevenção a desastres naturais, como enchentes, secas, deslizamentos e incêndios florestais, além de investimentos em drenagem urbana, contenção de encostas, sistemas de alerta e segurança hídrica e energética.
O presidente também ressaltou que, desde o início de seu mandato em 2023, o governo destinou aproximadamente R$ 23 bilhões para obras de saneamento, abastecimento de água, tratamento de resíduos sólidos e destravamento de obras abandonadas, com o objetivo de reduzir vulnerabilidades relacionadas às mudanças climáticas. No entanto, Lula reforçou que o saneamento básico é apenas uma das frentes necessárias para enfrentar a crise climática, que exige uma abordagem integrada e multissetorial.
Ao concluir sua manifestação, Lula voltou a criticar indiretamente Flávio Bolsonaro, sem citá-lo nominalmente, ao afirmar que governar o Brasil exige responsabilidade e compreensão da gravidade das questões ambientais. Segundo o presidente, quem ignora a ciência e promove o negacionismo climático demonstra falta de preparo para liderar o país em um momento de desafios globais relacionados ao clima, reforçando a necessidade de políticas públicas fundamentadas em conhecimento técnico e científico.









