O governo do Nepal anunciou neste sábado, 29 de outubro, uma mudança significativa em sua postura diante da crise humanitária provocada pelas intensas enchentes e deslizamentos decorrentes do colapso de uma geleira na região do Himalaia na última quarta-feira, 26 de outubro. Após inicialmente recusar ofertas de assistência internacional, o país solicitou oficialmente ajuda técnica especializada de países e organizações estrangeiras para lidar com os estragos e ampliar as operações de busca e resgate, que haviam sido suspensas temporariamente devido às condições meteorológicas adversas, como forte chuva e nevoeiro na região.
A decisão de solicitar cooperação internacional marca uma mudança de estratégia frente à escala da tragédia, que já resultou na morte de pelo menos 616 pessoas e no desaparecimento de aproximadamente 2.500 indivíduos, incluindo 540 estrangeiros, principalmente peregrinos hindus vindos da Índia. Os esforços de resgate, que envolvem a busca por sobreviventes presos em túneis, a reconstrução de vias de transporte e comunicação, além da instalação de pontes provisórias, foram dificultados pelo agravamento das condições climáticas e pela destruição de infraestrutura vital, como edifícios, pontes e usinas hidrelétricas.
A crise humanitária também apresenta um desafio na identificação das vítimas, uma vez que apenas 7 dos 49 corpos levados ao hospital principal de Catmandu foram reconhecidos até o momento. Com o avançar da decomposição dos corpos, três dias após o desastre, e o risco de epidemias, as autoridades locais determinaram que os corpos não identificados serão submetidos a coleta de amostras de DNA e sepultados em espaços abertos, enquanto familiares continuam a procurar por seus parentes por meio de fotografias afixadas nos locais de atendimento médico.
No cenário internacional, a resposta de países vizinhos já está em andamento. A Índia enviou aproximadamente 60 toneladas de suprimentos humanitários, incluindo alimentos, medicamentos, cobertores e pastilhas de purificação de água, além de planejar o envio de equipes técnicas, forças de resposta a desastres e unidades médicas. A China também solicitou cooperação internacional e enviou equipes ao complexo de fronteira de Gyirong, onde mais de 500 pessoas continuam desaparecidas. O acesso à região, altamente afetada pela destruição de estradas, é feito por meio de cordas, devido às dificuldades de transporte.
No aspecto econômico, o ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, estimou que os custos para a reconstrução da infraestrutura do país, que possui uma população de cerca de 30 milhões de habitantes, variam entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões, aproximadamente R$ 20 a R$ 25 bilhões. As autoridades permanecem em alerta quanto ao risco de novos alagamentos, uma vez que lagos represados na fronteira continuam a representar uma ameaça, embora, neste sábado, o volume de água de um dos reservatórios monitorados por satélite tenha começado a diminuir de forma gradual.








