Durante uma sabatina no Jornal Nacional realizada neste sábado (29), o candidato à Presidência da República, Augusto Cury, anunciou planos de estruturar o governo caso seja eleito, incluindo a criação de um Ministério da Segurança Pública. Em uma declaração que chamou atenção, Cury afirmou que pretende indicar o senador Ronaldo Caiado (PSD-GO) para comandar essa nova pasta, destacando que, se fosse criado, Caiado assumiria o papel de “xerife do Brasil”. A proposta foi apresentada no contexto de discussões sobre a reorganização e redução de ministérios, uma pauta que o candidato considera importante para otimizar a eficiência do governo.
Cury justificou a criação do Ministério da Segurança Pública como uma necessidade para fortalecer a área de segurança no país, além de defender a formação de estruturas específicas para setores considerados estratégicos. Entre essas, destacou a importância de um ministério dedicado à inteligência artificial e à robótica, áreas que ele acredita serem essenciais para o avanço tecnológico brasileiro. O candidato sugeriu a possibilidade de criar tanto um ministério quanto uma secretaria executiva com autonomia para tratar dessas questões, alertando que, sem esse tipo de estrutura, o Brasil poderia ficar para trás na corrida tecnológica global. Segundo ele, “se nós não tivermos uma secretaria executiva ou um Ministério da Inteligência Artificial e Robótica, o Brasil vai ser atropelado”. Cury também apontou que o avanço na automação terá impactos significativos no mercado de trabalho, afetando profissões como advogados, engenheiros, médicos e jornalistas nos próximos anos.
Além das questões de segurança e tecnologia, o candidato defendeu a ampliação da formação de jovens em áreas de alta tecnologia, propondo que pelo menos 10 mil estudantes façam doutorado em inteligência artificial. A meta, segundo ele, é fortalecer setores como medicamentos, agricultura e indústria, promovendo maior autonomia tecnológica para o Brasil.
No âmbito econômico e fiscal, Cury apresentou propostas de corte de gastos, revisão da estrutura do governo e aumento da arrecadação. Entre as medidas, destacou a intenção de elevar a tributação sobre casas de apostas online, sugerindo uma alíquota de pelo menos 50% a 52%, o que, na sua avaliação, ajudaria a aliviar a pressão sobre as contas públicas, estimando uma arrecadação adicional de aproximadamente R$ 120 bilhões por ano. Sobre a dívida pública, o candidato afirmou que o nível de endividamento do país é “estratosférico” e defendeu a adoção de uma responsabilidade fiscal mais rigorosa, incluindo auditoria na gestão pública e revisão de cerca de 50 mil cargos comissionados para identificar funções essenciais.
Cury também defendeu o financiamento de 10 milhões de microempresas como estratégia para estimular a economia e aumentar a arrecadação, além de propor que beneficiários do Bolsa Família possam ter uma segunda fonte de renda sem perder o benefício. Para melhorar a eficiência do setor público, o candidato sugeriu a implementação de indicadores de desempenho para os servidores, com a possibilidade de treinamento e capacitação para aqueles que apresentarem desempenho abaixo do esperado. Ele também destacou a digitalização da administração pública e o uso de inteligência artificial como ferramentas para reduzir despesas e aprimorar a gestão.
Ao abordar possíveis mudanças nas regras fiscais, Cury evitou apresentar propostas concretas, afirmando que o tema deverá ser estudado com cautela antes de qualquer alteração, considerando que propostas populistas ou eleitoreiras poderiam prejudicar a credibilidade de sua eventual gestão.









