Moradores do bairro Buritis, na Região Oeste de Belo Horizonte, enfrentam dificuldades no fornecimento de água devido a uma obra emergencial realizada pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A intervenção, que começou na segunda-feira (1º de setembro), visa remanejar um trecho de uma adutora de grande porte na região, após um rompimento ocorrido na Rua Xapuri, no bairro Nova Granada, em 19 de agosto. A situação tem causado a interrupção do abastecimento na área desde o domingo anterior, dia 30, e tem agravado a crise de acesso à água, além de elevar os custos para contratação de caminhões-pipa.
A obra emergencial é uma resposta à ruptura da tubulação na região de Nova Granada, que, segundo a Copasa, passou por um procedimento complexo devido à sua passagem sob uma edificação. A estrutura do imóvel foi afetada pelo rompimento, levando à interdição da residência pela Defesa Civil. Para contornar essa dificuldade, a concessionária precisou isolar temporariamente o trecho danificado e modificar a configuração hidráulica da rede, garantindo o fluxo de água, mas ocasionando perdas de vazão e oscilações de pressão especialmente nas áreas elevadas do Buritis, Estoril e Nova Suíça.
Segundo informações da Copasa, a intervenção visa à instalação de um novo traçado para a adutora, desviando-se do imóvel afetado. Essa ação é considerada uma medida definitiva para restabelecer o abastecimento pleno na Região Oeste de Belo Horizonte. A companhia também destacou que, desde o início do incidente, tem prestado assistência integral às famílias afetadas, incluindo hospedagem, alimentação, transporte, vestuário e acompanhamento médico, por meio de sua Gerência de Desenvolvimento Social.
A crise de abastecimento tem provocado dificuldades adicionais na contratação de caminhões-pipa, essenciais para suprir a demanda de água na área. Moradores relataram que os preços praticados pelos fornecedores aumentaram significativamente. Antônio, empresário de 44 anos, afirmou que seu edifício está sem água desde o domingo e que, na tentativa de contratar um caminhão, foi informado de valores que variam entre R$ 3.000 e R$ 3.500, valores considerados abusivos, especialmente considerando que anteriormente o serviço custava cerca de R$ 800 a R$ 900. Ele também questionou a veracidade da fila de espera para o serviço, suspeitando que a demora possa ser uma estratégia para pressionar os moradores a pagar preços elevados.
Outra moradora, Doris, de 68 anos, que atua como relações públicas, relatou que o síndico do prédio está buscando contratar um caminhão-pipa com custos na faixa de R$ 1.700 a R$ 1.900. Ela destacou que os moradores estão adotando medidas de economia para evitar o esgotamento do pouco volume de água disponível.
Além do problema na Região Oeste, a Copasa informou que também atuou na resolução de um rompimento de adutora na área do Barreiro. As equipes de manutenção concluíram os reparos na manhã desta terça-feira (1º de setembro), religando o sistema e iniciando o processo de recuperação gradual do abastecimento local. A companhia também identificou e corrigiu um vazamento na adutora na noite de segunda-feira (31 de agosto), durante obras realizadas pela Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra), o que permitiu a liberação da rede para pressurização.
Para minimizar os efeitos da crise, a Copasa reforçou sua operação de suporte emergencial, disponibilizando mais de 15 caminhões-pipa, priorizando hospitais, unidades de pronto atendimento, creches, escolas e pontos de maior criticidade topográfica. A companhia afirmou que continuará monitorando a situação e realizando ações de manutenção e obras emergenciais para garantir o restabelecimento completo do abastecimento na região.








