A subtenente da reserva Juliana Vittoria, reconhecida por ser a primeira mulher trans a integrar a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e a anunciar sua aposentadoria após 31 anos de carreira, destacou a importância histórica da nomeação da coronel Cleide Barcelos para o comando-geral da corporação. Cleide assumiu o cargo em 26 de maio de 2023, tornando-se a primeira mulher negra a liderar a Polícia Militar de Minas Gerais em seus 251 anos de existência, quebrando diversos paradigmas relacionados ao gênero, raça e trajetória dentro da instituição.
Juliana Vittoria, que trabalhou com Cleide Barcelos em diferentes ocasiões, ressaltou a relevância dessa conquista para a evolução da corporação. Ela destacou a competência e o caráter da atual comandante-geral, além de enfatizar a representatividade de uma mulher negra em uma posição de alta confiança e liderança. Segundo Vittoria, a presença de Cleide na chefia da PMMG simboliza uma mudança de paradigma, demonstrando que a inclusão e a diversidade são essenciais para o avanço institucional.
A trajetória de Juliana Vittoria na Polícia Militar começou em 1º de agosto de 1995, na cidade de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, onde ingressou no Curso de Formação de Sargentos Músicos (CFS Músico). Ao longo de sua carreira, atuou em múltiplas áreas, incluindo banda de música, operações, patrulhamento, controle de rebeliões e blitz, além de atuar na área de saúde, especialmente em programas de acolhimento voltados para policiais, bombeiros e seus familiares. Sua carreira foi marcada por reconhecimentos, incluindo uma medalha de ouro, e por diversas homenagens recebidas ao longo de mais de três décadas de serviço.
Cleide Barcelos, que atualmente ocupa a Diretoria de Proteção Social da PMMG, possui formação acadêmica em Direito, além de especializações em Direito Militar, Gestão Estratégica de Pessoas e Violência Doméstica. Sua entrada na Polícia Militar ocorreu em 1997, e ela concluiu o Curso de Formação de Oficiais na Academia da Polícia Militar em 2000. Ao longo de sua trajetória, acumulou vasta experiência em funções operacionais, estratégicas e de gestão, tendo comandado unidades como a Diretoria de Comunicação Organizacional, a Primeira Companhia Independente de Prevenção à Violência Doméstica e a 228ª Companhia Tático Móvel do 49º Batalhão da PM. Além disso, atuou como subchefe do Gabinete Militar do Governador de Minas Gerais.
A coronel Cleide Barcelos substituiu o coronel Carlos Frederico Otoni Garcia, que deixou o cargo que ocupava desde setembro de 2022. Sua nomeação representa um marco na história da Polícia Militar de Minas Gerais, simbolizando avanços no combate a paradigmas relacionados à diversidade e inclusão dentro da instituição. A sua liderança é vista como um passo importante na promoção de uma corporação mais representativa e alinhada às demandas sociais contemporâneas.









