O gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, negou nesta quarta-feira (2) que o magistrado tenha recebido um terno como presente do empresário Daniel Vorcaro. A declaração ocorre após a circulação de áudios relacionados a conversas entre o advogado Ciro Soares e Vorcaro, que sugerem uma relação entre o ministro e o empresário, além de indicar uma possível troca de favores ou contatos.
A controvérsia teve início com a divulgação de uma mensagem de áudio enviada por Ciro Soares ao ex-dono do Banco Master, na qual ele afirma estar levando Mendonça para fazer um terno junto ao alfaiate Vasco Vasconcellos. Na conversa, Soares diz: “Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora, pra fazer um terno”. Segundo fontes do gabinete de Mendonça, o terno foi de fato encomendado ao alfaiate, mas não se trata de um presente, e sim de uma compra feita pelo próprio ministro, que teria pago pela peça.
A questão ganhou relevância após a Polícia Federal obter e divulgar um áudio de Ciro Soares, no qual ele afirma que Mendonça gostaria de receber Vorcaro e que houve uma conversa sobre uma situação envolvendo o Banco Central. Na gravação, Soares diz: “O André quer te receber. Eu acho que eu dei uma balançada nele, naquele assunto”, referindo-se a uma tentativa de influenciar ou obter algum benefício junto ao ministro. Ainda na mesma conversa, ele revela que conversou com Mendonça sobre um tema relacionado ao Banco Central, embora detalhes específicos não tenham sido divulgados.
Ciro Soares também enviou outro áudio a Vorcaro, no qual afirma que conseguiu “dar uma balançada” em Mendonça sobre um determinado assunto. Segundo ele, o ministro estaria interessado em receber o empresário, e a conversa teria envolvido ainda uma discussão sobre uma questão envolvendo o Banco Central. O advogado destacou, em nota oficial, que as conversas não indicam irregularidades e que, na época das conversas — fevereiro de 2025 — Vorcaro não era investigado e Mendonça não era relator de processos ligados ao empresário.
O advogado reforçou que a relação de confidencialidade entre advogado e cliente foi violada, o que configura uma ilegalidade, e que as conversas não podem ser interpretadas como indícios de irregularidades. Além disso, o próprio gabinete de Mendonça confirmou que o ministro recebeu Vorcaro em março de 2025, por iniciativa do empresário, e que o ministro apenas ouviu o empresário na ocasião. Ainda segundo a nota, Mendonça também recebeu o advogado de Vorcaro no mesmo mês, e os registros dos encontros estão documentados.
A nota oficial do gabinete conclui que não há qualquer relação entre os encontros e as conversas divulgadas, reforçando que o ministro não recebeu presentes de Vorcaro e que as interações ocorreram de forma institucional e sem irregularidades. A divulgação dos áudios e as declarações levantam questionamentos sobre as relações do ministro com empresários, mas, até o momento, não há evidências de ilegalidade ou conduta imprópria por parte de Mendonça.









