Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade Flinders, na Austrália, revelou que partículas de fezes podem permanecer suspensas no ar do banheiro por até 20 segundos após a descarga do vaso sanitário. A pesquisa aponta que, ao dar descarga com a tampa aberta, pequenas partículas podem ser dispersas pelo ambiente, atingindo a altura em que adultos respiram, o que representa uma potencial via de exposição a microrganismos por inalação.
Publicado em 1º de agosto na revista científica Science of the Total Environment, o estudo analisou 22 trabalhos anteriores relacionados à geração de aerossóis e bioaerossóis durante a descarga de vasos sanitários. Essas investigações envolveram tanto experimentos em que microrganismos ou organismos substitutos foram adicionados à água do vaso quanto testes realizados em condições normais de uso. A explicação para a dispersão dessas partículas está na turbulência provocada pela descarga, que gera um fluxo de água capaz de lançar pequenas partículas no ambiente ao redor do vaso.
De acordo com Lira Adiyani, doutoranda da Universidade Flinders e autora principal do estudo, alguns experimentos detectaram esses aerossóis na altura da zona de respiração de adultos, sugerindo que eles podem ser inalados, aumentando o risco de contaminação e problemas de saúde. Os microrganismos presentes nesses bioaerossóis podem ter duas origens principais: a contaminação do vaso sanitário durante seu uso ou a própria água utilizada na descarga. Nos testes em que microrganismos foram inseridos propositalmente na água, foi observado que quanto maior a concentração desses organismos na água, maior também foi a quantidade de partículas detectadas no ar.
Os resultados indicam que as concentrações mais elevadas de partículas foram frequentemente encontradas próximas ao vaso, especialmente na altura do assento. No entanto, há variações consideráveis entre os estudos, influenciadas pelas condições do experimento, pelas características dos vasos e pelos métodos utilizados na coleta de amostras. Além disso, o volume de água usado na descarga também impacta na quantidade de aerossóis gerados; volumes maiores tendem a produzir mais partículas suspensas no ar. Como consequência, os pesquisadores sugerem que vasos projetados para usar menos água ou sistemas de descarga dupla, quando adequados, podem ajudar a reduzir a dispersão de bioaerossóis.
Em relação à prática de fechar a tampa antes de dar descarga, o estudo aponta que essa medida pode ajudar, mas não impede completamente a dispersão das partículas. As partículas permanecem suspensas no ar por pelo menos 20 segundos após a descarga, e a revisão não encontrou uma relação significativa entre a concentração de aerossóis e fatores como ventilação ou o fechamento da tampa. Ainda assim, fechar a tampa pode alterar a direção das partículas, que podem escapar pelos espaços entre ela e o vaso, ao invés de subir diretamente. Como medida de precaução, Adiyani recomenda que, sempre que possível, a tampa seja fechada antes de acionar a descarga, especialmente em ambientes onde há maior risco de contaminação.
A manutenção de uma boa ventilação no banheiro também é considerada importante para dispersar e eliminar partículas suspensas. Além disso, a limpeza regular do vaso sanitário e das superfícies ao redor, bem como a higienização das mãos após o uso, são medidas recomendadas para reduzir os riscos de contaminação. Harriet Whiley, professora da Faculdade de Ciências e Engenharia da Universidade Flinders e coautora do estudo, reforça a necessidade de novos estudos para avaliar a eficácia dessas medidas e desenvolver soluções mais eficientes para diminuir a geração de bioaerossóis, especialmente em ambientes de maior risco, como hospitais.









