A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) explicou as causas dos recentes rompimentos de tubulações e vazamentos ocorridos na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) ao longo das últimas três semanas. Segundo a empresa, os incidentes são resultantes de fatores técnicos isolados, sem relação direta entre si, e envolvem variáveis como características topográficas, variações de pressão, temperaturas mais baixas, movimentação do solo e construções irregulares sobre a rede de abastecimento.
A Copasa destacou que a queda nas temperaturas durante esse período pode acelerar a retração térmica dos materiais utilizados nas tubulações, tornando-os mais rígidos e suscetíveis a trincas. Além disso, em dias mais frios, a redução do consumo de água tende a aumentar a pressão interna na rede, pressionando pontos de menor resistência e contribuindo para o surgimento de vazamentos ou rompimentos. Essa combinação de fatores, segundo a companhia, aumenta a vulnerabilidade do sistema de distribuição.
Outro fator relevante apontado pela Copasa é a topografia da RMBH, que possui trechos com diferenças de altitude de até 400 metros. A operação de aproximadamente 20 milhões de metros de redes de água na região exige bombeamento constante para levar água às áreas mais elevadas e controle rigoroso da pressão nas regiões mais baixas. Essas variações de altitude e pressão aumentam a complexidade da manutenção e podem contribuir para os incidentes.
A movimentação do solo também foi citada como uma possível causa dos rompimentos recentes. A avaliação preliminar da Copasa indica que, no episódio mais recente, ocorrido na terça-feira (8/9), às margens da BR-040, em Contagem, a instabilidade do solo pode ter comprometido a integridade da tubulação. A área, próxima à Ceasa, foi afetada por vazamento que atingiu veículos em circulação e interrompeu o abastecimento de 13 bairros, afetando cerca de 2.632 imóveis.
A presença de construções irregulares sobre a rede também foi destacada como fator de risco. Em um incidente ocorrido em agosto, na região Oeste de Belo Horizonte, no bairro Nova Granada, uma adutora rompeu após uma residência ter sido construída sobre ela. A obra irregular dificultou os reparos e aumentou a complexidade do conserto.
A Copasa realiza, em média, cerca de 130 intervenções diárias relacionadas a vazamentos de diferentes portes em sua extensa rede de distribuição. A companhia assegura que esses episódios fazem parte da rotina operacional de sistemas de grande porte, e que os indicadores atuais permanecem dentro dos padrões históricos esperados, considerando a extensão da rede de mais de 65 milhões de metros de tubulações subterrâneas em Minas Gerais, incluindo aproximadamente 20 milhões de metros na RMBH, muitos com mais de 60 anos de uso.
A empresa reforçou que mantém equipes próprias e contratadas de plantão 24 horas por dia para atuar em ocorrências críticas. Essa estrutura visa garantir uma resposta rápida às emergências, minimizando os impactos no abastecimento de água na região.
Nos últimos dias, a sequência de problemas no sistema de abastecimento de Belo Horizonte e arredores resultou em diversos vazamentos e rompimentos. Além do episódio mais recente na BR-040, outros incidentes ocorreram na segunda-feira (7/9), na região do Barreiro, onde uma adutora rompeu na rua Caetano Pirri, causando uma cratera, inundando vias e afetando moradores de mais de 60 bairros. Nesse caso, o vazamento foi atribuído a uma forte variação de pressão.
No domingo (6/9), uma tubulação na rua Afonso Pena Júnior, próximo à Praça Guimarães Rosa, na região Nordeste de Belo Horizonte, também rompeu, provocando alagamentos e atingindo um imóvel comercial. Ainda em setembro, no dia 1º, uma tubulação dentro da Estação de Tratamento de Água da Copasa, no Barreiro, sofreu uma ruptura, causando alagamentos e danos estruturais na unidade.
O episódio mais antigo na sequência ocorreu em 19 de agosto, na rua Xapuri, no bairro Nova Granada, quando uma adutora rompeu, inundando uma residência, causando o desabamento parcial de uma parede e levando à interdição do imóvel. O reparo desse vazamento foi concluído somente no último sábado (5/9). A companhia afirma que todos esses eventos possuem causas distintas e independentes, reforçando que não há relação direta entre eles.
A Copasa reforça seu compromisso de manter a operação de sua extensa rede de distribuição e de atuar prontamente para minimizar os impactos dos rompimentos, mesmo diante das dificuldades impostas pelas variáveis ambientais e estruturais da região.









