Em 11 de setembro de 2001, enquanto os Estados Unidos enfrentavam os ataques terroristas que resultaram na queda das Torres Gêmeas, na destruição de parte do Pentágono e na morte de 2.977 pessoas, o astronauta Frank Culbertson, então na Estação Espacial Internacional (ISS), registrou uma das imagens mais marcantes daquele dia ao captar a extensa coluna de fumaça que se erguia sobre Manhattan. A fotografia, divulgada pela NASA, tornou-se um símbolo visual do impacto dos atentados vistos de uma perspectiva espacial, destacando a escala da tragédia de forma única.
Na manhã daquele dia, Culbertson, que era o único astronauta estadunidense na órbita naquele momento, estava a aproximadamente 400 quilômetros da Terra. Assim que soube dos ataques, enquanto a estação sobrevoava a costa leste dos Estados Unidos, ele iniciou a documentação do evento. Segundo relatos do próprio astronauta, ao perceber a fumaça se espalhando ao sul de Nova York, decidiu pegar sua câmera e observou a cidade a partir do espaço. Em uma carta escrita nos dias seguintes, Culbertson descreveu a cena como um “horror”, destacando a aparência incomum da fumaça na base da coluna, que se estendia ao sul da metrópole. A imagem revela, de uma perspectiva única, a extensão da destruição e o impacto visual do colapso das torres.
A experiência teve um forte impacto emocional para Culbertson, especialmente ao descobrir que um antigo colega da Academia Naval dos Estados Unidos, Charles Burlingame, era o piloto do voo 77 da American Airlines, um dos aviões sequestrados que atingiu o Pentágono. Ele resumiu o sentimento do momento com a frase: “As lágrimas não fluem da mesma forma no espaço”, refletindo a dor de estar distante, mas testemunhar a tragédia.
Embora os ataques tenham sido realizados por integrantes da Al-Qaeda, com quatro aviões sequestrados, dois deles atingindo as Torres Gêmeas, um o Pentágono, e o quarto caindo na Pensilvânia após reação de passageiros, os efeitos foram sentidos também do espaço. Culbertson tentou identificar sinais de fumaça próximos a Washington, mas as condições atmosféricas dificultaram a observação. Nos dias seguintes, ele e sua tripulação notaram que as trilhas de condensação, comuns no céu devido ao tráfego aéreo, praticamente desapareceram, com exceção do voo do Air Force One retornando a Washington com o presidente George W. Bush, uma visão que também marcou o astronauta.
Para homenagear as vítimas e os heróis do 11 de setembro, a NASA realizou uma iniciativa na missão STS-108 do ônibus espacial Endeavour, levando quase 6 mil pequenas bandeiras dos Estados Unidos ao espaço. Essas bandeiras foram posteriormente entregues às famílias das vítimas, em uma cerimônia realizada em Nova York no Dia Nacional da Bandeira, em 14 de junho de 2002. Além disso, a agência utilizou parte do alumínio recuperado dos destroços do World Trade Center na fabricação de ferramentas para as missões dos robôs Spirit e Opportunity, enviados a Marte, incorporando uma bandeira dos Estados Unidos nesses equipamentos como símbolo de resistência e memória.
Décadas após os eventos, a imagem capturada por Culbertson permanece como um retrato singular daquele dia, reforçando a dimensão da tragédia e a perspectiva única de quem testemunhou o ataque de um ponto de vista que poucos tiveram a oportunidade de ver.









