Um jovem de 20 anos morreu após uma abordagem da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) na cidade de Piedade de Ponte Nova, localizada na Zona da Mata Mineira, na noite de sexta-feira (11). Segundo informações obtidas, Ariel dos Santos Ferreira foi vítima de uma ação policial que resultou em agressões físicas e uso de spray de pimenta, culminando em seu falecimento pouco tempo após ser encaminhado ao hospital.
Conforme relato da irmã de Ariel, Angel, o episódio ocorreu por volta das 22h, quando ela, o irmão e um grupo de amigos se deslocavam para uma festa na região. A abordagem policial foi considerada tranquila inicialmente, com a revista realizada pelos militares, que então liberaram o grupo. Ainda segundo Angel, seu irmão foi ao mato para urinar, momento em que um policial se aproximou e começou a gritar com Ariel sem qualquer motivo aparente. A irmã relata que o jovem tentou explicar que estava apenas urinando, mas foi surpreendido com um golpe forte na nuca.
Imagens enviadas à redação ilustram uma discussão entre Ariel e dois policiais, seguida pelo momento em que um dos militares utiliza spray de pimenta próximo ao rosto do jovem. Angel descreveu que Ariel ficou tonto e desnorteado, chegando a cair de cabeça no chão e convulsionar. Os vídeos também mostram os amigos tentando ajudar a vítima enquanto discutem com os policiais, questionando a conduta dos agentes e pedindo socorro.
A família de Ariel manifesta grande indignação com a atuação policial, acusando os militares de não prestarem socorro adequado e de demorarem a acionar uma ambulância. O jovem foi levado ao Hospital Geral de Ponte Nova, onde os médicos confirmaram que ele chegou sem sinais de vida. O corpo de Ariel foi sepultado no domingo (13).
Ariel trabalhava como servente de pedreiro e não possuía antecedentes criminais, informação confirmada pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp-MG). A irmã lamentou o desfecho trágico, classificando a ação policial como uma “muita covardia” e expressando surpresa com o ocorrido.
No boletim de ocorrência, os policiais afirmaram que abordaram o grupo por volta das 22h, alegando que eles apresentavam “atitude suspeita”. Segundo a versão oficial, nenhuma substância ilícita foi encontrada, e após serem liberados, Ariel permaneceu com “visível alteração, fala desconexa e andar cambaleante”, supostamente sob efeito de substâncias. Os policiais também relatam que Ariel urinou em via pública e exibiu comportamento inadequado, incluindo a exposição genital, o que teria levado à tentativa de abordagem.
Ainda de acordo com a versão policial, Ariel não teria acatado a ordem de cessar o ato e teria desacatado os agentes, além de tentar avançar contra eles, gerando aumento da tensão no local. Os militares negaram qualquer agressão física, afirmando que realizaram manobras de reanimação, versão contestada pela família, que denuncia a ausência de socorro adequado.
A Polícia Militar de Minas Gerais foi procurada pela reportagem nos dias seguintes ao ocorrido, mas não se pronunciou até o momento. O caso permanece sob investigação, e a comunidade aguarda esclarecimentos sobre as circunstâncias que levaram à morte do jovem.







