O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), protocolou na noite desta segunda-feira (14) uma defesa detalhada de 44 páginas em resposta a um relatório divulgado pela Polícia Federal (PF), que aponta uma suposta relação entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, envolvido na maior fraude bancária registrada no país nos últimos anos. A manifestação de Moraes busca refutar as acusações e questionar a integridade do relatório elaborado pela PF.
De acordo com o documento, a solicitação para a elaboração da defesa foi feita pelo ministro André Mendonça, integrante também do STF. Na sua argumentação, Moraes sustenta que as informações apresentadas pela Polícia Federal são “fantasiosas” e “criminosas mentiras”, além de acusar Mendonça de motivação “político-eleitoral” ao apoiar o relatório. Ele afirma ainda que o documento da PF foi baseado em relatórios de inteligência considerados apócrifos, ou seja, sem validade oficial, produzidos por órgãos de inteligência que, segundo Moraes, tiveram sua credibilidade comprometida por irregularidades.
Entre os pontos destacados por Moraes, está a alegação de que ele teria editado um contrato de R$ 131 milhões envolvendo o escritório de sua esposa, Viviane Barci, e o Banco Master, instituição financeira ligada a Vorcaro. O ministro também afirma que foi consultado por Vorcaro dois dias antes do banqueiro ser preso, quando tentava deixar o país, porém nega qualquer envolvimento ou atuação em processos relacionados ao Banco Master ou ao escritório de sua esposa no âmbito do STF.
Moraes classifica os diálogos revelados pela Polícia Federal como “fantasiosos” e afirma que as mensagens contidas no relatório são “mentiras criminosas”. Ele acusa Mendonça de usar informações de inteligência não confiáveis para sustentar as acusações, além de denunciar uma suposta “quebra da cadeia de custódia” que teria permitido a inserção de arquivos falsificados e mensagens em blocos de notas, o que comprometeria a veracidade do documento.
O ministro também denuncia uma interferência estrangeira na produção do relatório, alegando que há uma tentativa de influenciar o processo eleitoral brasileiro de 2026. Segundo Moraes, o relatório foi elaborado de forma a tentar incriminar o relator de ações contra uma organização criminosa que supostamente tentou dar um golpe de Estado no Brasil, com o objetivo de desestabilizar o Estado Democrático de Direito. Ele reforça que o documento é “imprestável” devido às irregularidades apontadas, incluindo a participação de órgãos externos à Polícia Federal, o que, na sua avaliação, demonstra uma tentativa de interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
A defesa de Moraes representa uma resposta contundente às acusações feitas pela Polícia Federal, reforçando a sua posição de que não há elementos concretos que o relacionem às atividades ilícitas atribuídas a Vorcaro. O documento também levanta suspeitas sobre a integridade do relatório da PF, questionando sua validade e o processo de produção, além de apontar possíveis motivações políticas por trás das investigações.








