O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), apresentou na noite de terça-feira um documento de 44 páginas à presidência da Corte, pouco antes da sessão que analisaria um pedido de investigação contra ele. Na defesa, Moraes refutou categoricamente as alegações de trocas de mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, qualificando-as como “diálogos fantasiosos” e “criminosas mentiras”. Além disso, acusou o colega André Mendonça de agir motivado por interesses político-eleitorais, alegando que Mendonça teria utilizado relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF), considerados apócrifos, para fundamentar acusações contra ele.
O documento revela que Moraes usou a palavra “ilegal” 26 vezes ao se referir às ações de Mendonça, reforçando sua posição de que as provas apresentadas são inválidas e que há uma tentativa de manipulação por parte do relator do caso, que, segundo Moraes, ignorou possibilidades relevantes na análise de dados do celular de Vorcaro. O ministro também afirmou que a leitura dos metadados e a atribuição de autoria às mensagens carecem de perícia técnica adequada, sendo resultado de uma análise subjetiva e direcionada por Mendonça.
Moraes sustentou que os supostos diálogos, apresentados como evidências, simplesmente não existiram, reforçando que nenhuma mensagem ou bloco de notas contendo suas supostas comunicações com Vorcaro foi enviado ou visualizado. Ele ressaltou que o conteúdo do celular de Vorcaro poderia ter sido enviado a diversas pessoas em momentos diferentes, ou apagado antes de ser acessado, apontando que a análise feita por Mendonça foi tendenciosa e seletiva.
O ministro também acusou Mendonça de direcionar ilegalmente as investigações com fins políticos, alegando que a tentativa de criar uma “farsa incriminatória” estaria relacionada ao período eleitoral e às manifestações do dia 7 de setembro, utilizadas por grupos de direita. Moraes afirmou que, desde 18 de maio, quando assinou a petição 15.625, Mendonça tinha conhecimento da citação a Moraes, mas optou por não encaminhar o caso ao plenário do STF na ocasião, aguardando um momento mais oportuno para “produzir sua farsa”.
Segundo Moraes, essa conduta representa uma decisão inconstitucional, irregular e nula, uma vez que o relator estaria tentando esconder outros elementos ao direcionar as investigações contra ele de forma ilegal. Ele também criticou o uso de relatórios de inteligência considerados apócrifos, afirmando que esses documentos têm a mesma validade de colaborações premiadas, ou seja, podem servir como prova apenas se corroborados por outras evidências concretas. Moraes anunciou que solicitará ao presidente do STF a intimação de testemunhas que participaram de reuniões nas quais Mendonça teria solicitado medidas contra ele, incluindo a inclusão do ministro na colaboração premiada, mesmo sem indícios de infrações penais.
Por fim, Moraes reforçou que nunca atuou em processos envolvendo o Banco Master ou o escritório de sua esposa, Viviane Barci, e que não há qualquer elemento que indique prática de irregularidades ou infrações penais por sua parte. Ele também afirmou que a Operação Compliance Zero foi bem-sucedida e que Vorcaro foi preso sem qualquer vazamento de informações. A denúncia de diálogos inexistentes, segundo Moraes, é uma tentativa de manipulação que não possui respaldo na realidade, e que as análises feitas por Mendonça representam uma interpretação subjetiva e tendenciosa dos dados disponíveis.






