O corpo de Gabriela Elorriaga, de 26 anos, foi encontrado nesta terça-feira (15), quatro dias após ela desaparecer durante um acidente envolvendo embarcações na região de Veneza, na Itália. A vítima foi localizada em uma lagoa próxima à Ilha de Campalto, região conhecida por suas vias navegáveis e pela atividade marítima. A confirmação do achado foi divulgada pela imprensa italiana e posteriormente pelo prefeito de Veneza, Simone Venturini, por meio de suas redes sociais. O prefeito destacou que o caso vinha mobilizando as autoridades locais e a população desde o momento do acidente, reforçando a comoção e a atenção que o episódio gerou na cidade.
Segundo informações apuradas, Gabriela foi localizada por uma pessoa que passava pela área, o que contribuiu para o rápido avanço nas buscas após o desaparecimento. Ela estava em uma lancha junto com seu marido, o italiano Sean Michieli, de 25 anos, quando a embarcação foi atingida por um táxi aquático na madrugada do sábado (12). O casal havia saído para pescar na região, uma atividade comum na área, especialmente na Ilha de Burano, onde residiam. Após a colisão, Sean foi resgatado com ferimentos graves, mas não resistiu e faleceu no domingo (13). Gabriela, por sua vez, desapareceu após o incidente, permanecendo sob busca das equipes italianas durante quatro dias consecutivos.
As autoridades italianas já confirmaram que Gabriela estava na embarcação envolvida no acidente, uma vez que seus pertences pessoais foram encontrados entre os destroços. O caso gerou uma investigação que envolve o piloto do táxi aquático, que está sendo ouvido formalmente pelas autoridades locais. As primeiras apurações indicam que a embarcação de transporte de passageiros estaria trafegando acima do limite de velocidade permitido no Canal de Tessera no momento do impacto. Essa conduta é considerada uma infração grave, e o condutor do táxi aquático é investigado por homicídio náutico — crime equiparado ao homicídio por acidente de trânsito na legislação italiana, que prevê penas de dois a sete anos de prisão.
As investigações também buscam esclarecer as circunstâncias específicas do acidente, incluindo o motivo pelo qual a embarcação de transporte de passageiros trafegava em velocidade excessiva. A legislação italiana prevê penalidades severas para condutas que coloquem em risco a segurança no transporte aquático, e o condutor do táxi aquático responde por homicídio na modalidade de acidente.
De acordo com informações fornecidas pela família de Gabriela à emissora EPTV, ela era natural de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, e residia na Itália há aproximadamente dois anos. Gabriela e Sean se casaram em junho deste ano, em Veneza, e viviam na Ilha de Burano, uma localidade famosa por suas casas coloridas e tradição pesqueira. Sean fazia parte de uma família com forte tradição na atividade pesqueira na região, e Gabriela estava no processo de regularizar sua documentação e habilitação para atuar na pesca ao lado do marido. Para os familiares, navegar na região fazia parte da rotina do casal, que apreciava a vida marítima e tinha o hábito de pescar na área.
Este episódio reforça a complexidade das operações de transporte aquático na cidade de Veneza, uma das principais atrações turísticas do mundo, mas também uma região com desafios específicos de segurança nas vias navegáveis. As autoridades italianas continuam as investigações para determinar as causas exatas do acidente e responsabilizar possíveis negligências ou infrações cometidas durante a ocorrência.







