Um policial civil foi detido e outros dois estão foragidos após uma investigação conduzida pela Corregedoria da Polícia Civil de Minas Gerais, que apura possíveis irregularidades ocorridas durante uma operação realizada em uma residência no bairro Bandeirantes, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. A ação, ocorrida em agosto, resultou na prisão de um conselheiro tutelar e de seu filho, ambos suspeitos de tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo de uso restrito.
De acordo com informações obtidas pela RECORD Minas, o investigador Rafael Egg Macedo foi preso na ocasião. Os suspeitos Rodrigo Otávio Andrade e Ana Luiza Guimarães Carvalho continuam foragidos. Rafael passou por audiência de custódia nesta terça-feira (15), e o juiz responsável determinou o encaminhamento dos autos à 1ª Vara das Garantias de Belo Horizonte, órgão competente pela análise da prisão.
A investigação teve início após a execução de um mandado de busca e apreensão na residência da família Fernandes, no começo de agosto. Durante a operação, os policiais civis prenderam Bruno Gleidson Fernandes e Matheus Bruno Andrade Fernandes, sendo que este último tentou fugir durante a abordagem nas proximidades do imóvel. Os agentes relataram que, durante as buscas, encontraram no quarto de Matheus uma pistola Glock calibre 9 milímetros, equipada com dispositivo que permite disparos em rajada, além de 42 munições, rádios comunicadores e um tablete de maconha. O laudo preliminar apontou que a droga pesava aproximadamente 740 gramas.
A prisão de pai e filho foi efetuada em flagrante, e posteriormente a Justiça converteu as detenções em preventivas, considerando elementos que indicam a materialidade dos crimes e indícios de autoria. A decisão judicial também rejeitou, na fase inicial, a alegação da defesa de que o flagrante teria sido forjado, sustentando que a investigação exigia apuração mais aprofundada.
A defesa de Bruno e Matheus contesta a versão oficial sobre a apreensão da droga, alegando que imagens da própria operação levantam suspeitas acerca da atuação dos policiais envolvidos. Segundo o advogado da família, a decisão que autorizou as buscas determinava a filmagem integral da diligência, mas as imagens apresentadas apresentariam cortes, além de apontar um volume na região da perna de um policial antes da localização do entorpecente. Ainda, as testemunhas que acompanharam a operação afirmaram que não presenciaram o momento exato da apreensão do tablete de maconha, alegando que as buscas no quarto foram encerradas antes da descoberta.
A defesa também argumenta que há indícios de que a droga possa ter sido colocada na residência durante a própria operação policial, uma hipótese que ainda está sendo investigada. As circunstâncias em que o entorpecente foi encontrado permanecem sob análise, e não há conclusão definitiva até o momento. Bruno e Matheus continuam presos desde agosto, enquanto a defesa busca a revogação da prisão preventiva, alegando que as novas suspeitas levantadas pela investigação colocam em dúvida a legalidade do flagrante.
A Justiça justificou a manutenção das prisões com base na materialidade dos objetos apreendidos, incluindo a arma de fogo, munições e rádios comunicadores, considerados elementos que garantiriam a ordem pública. Paralelamente, a Corregedoria da Polícia Civil investiga a conduta dos agentes envolvidos na operação, tendo expedido ordens de prisão contra três policiais e mandados de busca e apreensão relacionados às supostas irregularidades.
A defesa do policial Rafael Egg Macedo afirmou que ele nega qualquer irregularidade e que as acusações ainda não foram comprovadas. O advogado do investigador declarou que pretende avaliar medidas judiciais para tentar substituir a prisão preventiva por medidas cautelares, reforçando que não há como se chegar a uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade do policial neste momento. As investigações continuam para esclarecer se houve irregularidades na operação e sob quais circunstâncias o entorpecente foi localizado na residência.








