O ator Mateus Solano voltou a discutir seu papel como Félix na novela “Amor à Vida” e refletiu sobre como as transformações na sociedade contemporânea influenciam a percepção do público em relação ao personagem. Em entrevista ao programa “Provoca”, apresentado por Marcelo Tas na TV Cultura, Solano afirmou que muitas das falas do vilão, que na época da exibição original da trama, entre 2013 e 2014, provocavam risadas, perderam esse efeito devido às mudanças no comportamento social e na sensibilidade coletiva.
Segundo o ator, essas mudanças são determinantes para entender por que a novela nunca foi reexibida na faixa do “Vale a Pena Ver de Novo”, espaço tradicional de reprises da Globo. Ele explicou que o conteúdo de certas falas de Félix, que na época eram consideradas engraçadas ou aceitáveis, passaram a ser vistas com maior criticidade. “Essa novela do Félix só não voltou inúmeras vezes no ‘Vale a Pena Ver de Novo’ por causa dessas questões. Porque o que ele dizia era risível até 2014. Acho que 2015 já não era mais”, afirmou, destacando que o público passou a observar de forma mais rigorosa piadas e comentários que antes eram considerados naturais ou inofensivos.
Solano também destacou que Félix, inicialmente um antagonista na trama de Walcyr Carrasco, acabou ultrapassando os limites da narrativa e se consolidando como uma figura de forte presença na internet. Frases de efeito do personagem ajudaram a transformar Félix em um “meme natural”, fenômeno que contribuiu para sua popularidade fora do contexto da novela. O ator ressaltou que o personagem, que começou envolvido em conflitos familiares e atitudes cruéis, passou por uma trajetória de redenção ao longo da enredo, culminando em uma cena histórica na teledramaturgia brasileira: o primeiro beijo entre dois homens em uma novela da Globo, protagonizado por Félix e Niko, interpretado por Thiago Fragoso.
Algumas das falas de Félix, citadas por Solano na entrevista, envolviam comentários depreciativos e ofensivos, como a ofensa à secretária Simone, a quem chamou de “cadela”, além de piadas gordofóbicas e relacionadas à aparência e idade de outros personagens, como Márcia. Um exemplo citado foi uma observação sobre ela, dizendo: “Se é ex-chacrete, já deve ter despencado. A gravidade é um crime contra a mulher”. Essas declarações, que na época geraram repercussão, hoje são vistas sob uma perspectiva crítica, refletindo a evolução dos padrões de respeito e sensibilidade social.
Além de revisitar seu trabalho do passado, Mateus Solano falou sobre a importância da arte como espaço de reflexão e transformação social. Atualmente, ele está em cartaz com o monólogo “O Figurante”, projeto que demonstra seu compromisso com a atuação e a expressão artística. A entrevista reforça a compreensão de que a recepção de personagens e de obras de ficção está diretamente relacionada às mudanças culturais e aos debates atuais sobre ética, respeito e representatividade na mídia.









