O concurso Fotógrafo de Astronomia do Ano ZWO 2026, promovido pelo Observatório Real de Greenwich, em Londres, anunciou seus vencedores na última semana, destacando imagens que capturam diferentes aspectos do universo. A cerimônia de premiação, realizada em 17 de setembro, revelou trabalhos que retratam desde fenômenos atmosféricos até estruturas de galáxias distantes, e as fotografias selecionadas serão exibidas no Museu Marítimo Nacional de Londres a partir do dia 18 de setembro.
O grande vencedor da competição foi o fotógrafo Ali Alobaidly, do Kuwait, que conquistou o prêmio principal com uma imagem da Nebulosa do Tubarão, conhecida oficialmente como LDN 1235. Localizada a aproximadamente 650 anos-luz da Terra, na constelação de Cepheus, a nebulosa apresenta uma silhueta que remete a um tubarão em movimento, formando uma imagem impressionante de gás e poeira cósmica. A fotografia, batizada de “O Predador Silencioso”, foi capturada por Alobaidly ao longo de dois dias, em agosto de 2025, na província de Jahra, no Kuwait. Para a realização da imagem, o fotógrafo utilizou um telescópio Askar 140 APO, uma montagem Sky-Watcher EQ8-R e uma câmera ZWO ASI2600MM Pro. Como reconhecimento, ele recebeu um prêmio de 10 mil libras esterlinas.
A composição da imagem chamou atenção por sua relação simbólica entre o objeto celeste e a paisagem terrestre. Segundo Alobaidly, a figura que lembra um predador marinho sobre o deserto do Kuwait foi um elemento que despertou seu interesse, refletindo uma conexão emocional com o universo e suas raízes culturais. Para ele, a nebulosa representa uma ponte entre o cosmos e a ancestralidade do deserto.
Entre as demais imagens premiadas, destaca-se a fotografia intitulada “A Coroa”, de Radoslav Sviretsov, da Bulgária, vencedora na categoria de Auroras. A imagem mostra uma aurora boreal que se espalha sobre uma pequena igreja situada entre Keflavík e Reykjavík, na Islândia. A região, afastada de fontes de poluição luminosa, proporcionou condições ideais para o registro do fenômeno, que aparece como uma estrutura luminosa semelhante a uma coroa no céu.
Na categoria dedicada à Lua, o destaque foi para a foto “Pérola de Vênus na Lua”, do fotógrafo tcheco Petr Horalek. Capturada em 19 de setembro de 2025, a imagem mostra o momento em que Vênus passa à frente da Lua, durante o início de uma ocultação, criando a ilusão de uma pequena esfera brilhante na borda do crescente lunar. Essa oportunidade rara de registro ocorre quando o planeta Vênus, visível a partir de certas regiões da Terra, se posiciona de modo a parecer uma pérola ao lado do satélite natural.
No âmbito do Sol, o vencedor foi Miguel Claro, de Portugal, que apresentou a imagem intitulada “Região Ativa 4122”. Utilizando um telescópio de banda dupla, o fotógrafo conseguiu registrar detalhes da fotosfera solar, incluindo células de convecção — regiões de gás ou plasma superaquecido — e pontos brilhantes associados a atividades solares. Essas estruturas indicam a dinâmica intensa da estrela, essenciais para o entendimento de seu comportamento.
Outra imagem de destaque relaciona-se à história e à arqueologia, com a fotografia “Uma Mensagem dos Antigos”, de Max Inwood, da Nova Zelândia. A foto combina o céu estrelado com petróglifos encontrados no deserto da Califórnia, sugerindo uma conexão entre registros antigos e a observação astronômica. A imagem busca representar as 13 luas cheias que a Terra testemunha ao longo de um ano, de acordo com a interpretação dos desenhos rupestres.
Na categoria Planetas, o destaque foi para a fotografia “Equinócio de Saturno”, de Tom Williams, do Reino Unido. A imagem mostra Saturno com seus anéis quase de perfil, uma perspectiva que ocorre durante a trajetória do planeta ao redor do Sol. Como Saturno leva cerca de 30 anos para completar uma órbita, registros como esse são considerados raros, especialmente por capturar a mudança na perspectiva dos anéis, além de marcar o início da primavera no hemisfério sul do planeta.
Na seção de Paisagens Celestes, Stefano Pellegrini, da Itália, conquistou o prêmio com “Rastro de estrelas de Botswana”. A fotografia, feita na região de Nxai Pan, combina longas exposições do céu com a silhueta de grandes baobás, criando uma composição de aparência quase psicodélica, que evidencia trilhas luminosas deixadas pelas estrelas em movimento.
Por fim, na categoria de Galáxias, a imagem vencedora foi de 智鹏 严 e Xinran Li, da China, que capturaram a NGC 4753, uma galáxia situada a aproximadamente 60 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Virgem. A fotografia evidencia as faixas de poeira que envolvem seu núcleo luminoso, formando uma estrutura complexa de grande beleza e detalhamento no espaço profundo.
As fotografias premiadas demonstram não apenas a diversidade de fenômenos astronômicos, mas também o potencial das técnicas de astrofotografia para revelar detalhes invisíveis a olho nu. A lista completa dos vencedores e as declarações dos jurados estão disponíveis no site oficial do concurso.









