O DJ e produtor musical Alok manifestou-se sobre os impactos da inteligência artificial (IA) na indústria da música, destacando a importância de manter a responsabilidade artística sob controle humano. Em entrevista concedida à repórter Jussara Ávila, do portal LeoDias, durante o Uberaba Rodeo Show, realizado no sábado, 19 de outubro, Alok abordou a influência crescente da tecnologia na produção musical e reforçou a necessidade de limites no uso da IA.
Durante a entrevista, Alok afirmou que a influência da inteligência artificial já é perceptível no processo de criação musical. Ele recordou o momento em que, no ano anterior, promoveu o lançamento do manifesto “Keep Art Human” no festival Coachella, um evento de grande destaque na cena musical internacional. O manifesto defendia a preservação da arte humana em face do avanço da tecnologia, especialmente no contexto de uma era em que a IA vem oferecendo possibilidades de conforto e facilidades na produção artística. Segundo o DJ, a primeira área atingida por essa influência foi a artística, com exemplos de uso de IA na criação de cartoons e na composição de músicas através de comandos de texto, chamados “prompts”.
Alok destacou que a expansão da inteligência artificial para diferentes setores aumentou a preocupação quanto aos efeitos dessa tecnologia na cultura e na criatividade. Apesar de reconhecer que a ferramenta pode ser útil, ele reforçou que a criação artística deve permanecer sob responsabilidade humana, argumentando que a arte não deve ser apenas uma fonte de conforto, mas também um meio de confrontar ideias, provocar reflexão e impulsionar a cultura. Para o DJ, transferir essa responsabilidade para a IA é um risco que pode comprometer o papel do artista na formação de visões de mundo e valores sociais.
O artista revelou que, atualmente, utiliza algumas ferramentas de IA em situações específicas, como na extração de vocais de suas músicas. Entretanto, ele admitiu que tem evitado recorrer a essas tecnologias após uma descoberta preocupante envolvendo suas próprias obras. Segundo Alok, mais de 300 músicas suas estão sendo estudadas por sistemas de inteligência artificial, sem sua autorização, por plataformas como Suno, com o objetivo de recriar novas composições. Essa prática, na visão do DJ, levanta uma série de questões éticas e legais, uma vez que artistas não têm controle sobre o uso de suas criações.
Questionado sobre o impacto dessa prática para os artistas, Alok explicou que suas músicas estão sendo utilizadas para alimentar sistemas capazes de gerar novas obras musicais. Ele ressaltou que, ao fornecer informações e músicas sem consentimento, os artistas estão contribuindo involuntariamente para que a IA aprenda e crie novas composições de forma autônoma, sem a autorização ou remuneração devida. Para o DJ, o problema não se limita às suas próprias obras, mas se estende a toda a comunidade artística, que enfrenta o risco de ter seu trabalho explorado por sistemas de inteligência artificial que podem criar conteúdos semelhantes ou derivados, apenas mediante comandos simples de texto.
Alok concluiu reforçando a necessidade de uma regulamentação mais rigorosa e de uma reflexão ética sobre o uso da IA na música. Ele defende que a tecnologia deve ser uma ferramenta auxiliar, mas que a responsabilidade pela criação artística deve permanecer exclusivamente nas mãos humanas, preservando a essência da cultura e a integridade do trabalho dos artistas.








