O atacante Dudu, que foi uma peça fundamental do Atlético de Minas Gerais durante a gestão de Jorge Sampaoli, atualmente enfrenta um cenário de menor destaque na equipe sob o comando do técnico Eduardo Domínguez. Após o empate de 1 a 1 com a Chapecoense, ocorrido no último sábado (19 de setembro), o jogador de 34 anos manifestou insatisfação com a sua pouca participação em campo, demonstrando frustração por não receber oportunidades de jogo frequentes. A mudança no papel de Dudu na equipe revela uma alteração tática e de hierarquia dentro do elenco, refletindo uma nova estratégia adotada pelo treinador argentino.
A transformação na rotina do atacante está relacionada às mudanças táticas implementadas por Domínguez desde sua chegada ao clube. Sob Sampaoli, o Atlético atuava predominantemente em um sistema de 3-2-5, com Dudu desempenhando a função de ponta esquerda, contribuindo com amplitude e participação direta na criação de jogadas. Essa configuração permitia ao atacante, na época, ser uma das principais válvulas ofensivas da equipe, participando ativamente das ações de ataque.
Com a chegada de Domínguez, essa dinâmica foi alterada. O treinador passou a posicionar Bernard na esquerda, mas com maior liberdade para atuar por dentro, enquanto Renan Lodi passou a atuar frequentemente como um ponta, avançando pelo corredor esquerdo e explorando espaços na linha de fundo. Essa mudança tática tem impacto direto na utilização de Dudu, que atualmente ocupa uma posição mais recuada ou mais centralizada, dependendo da formação adotada. Bernard, por sua vez, exerce uma função semelhante à de um armador, participando da construção ofensiva por dentro e circulando por diferentes regiões do campo, o que diminui o espaço disponível para o atacante de 34 anos.
Outro fator que contribui para a redução do protagonismo de Dudu é a presença de Renan Lodi, que consegue explorar o espaço no qual Dudu sempre se destacou. Quando o Atlético tem a posse de bola, o lateral brasileiro avança pelo lado esquerdo, atuando quase como um ponta e ampliando o campo de ataque. Essa dinâmica faz com que o espaço tradicional de Dudu seja ocupado por Lodi, além de outros jogadores como Cuello, que também tem sido utilizado por Domínguez nas pontas do setor ofensivo.
A mudança de hierarquia e de esquema tático já vinha sendo percebida desde maio, quando o treinador argentino afirmou que outros jogadores estavam em melhor momento e que o sistema de jogo ainda estava sendo ajustado para proporcionar maior conforto ao elenco. Desde então, Dudu perdeu espaço, chegando a ser sondado por outros clubes brasileiros durante a janela de transferências, embora nenhuma proposta formal tenha sido apresentada. Em julho, o atacante ultrapassou o limite de 12 jogos no Brasileirão, condição que impediria uma transferência para outro clube da Série A naquele momento.
Atualmente, Bernard é a principal opção de Domínguez pela faixa esquerda, enquanto Cuello consolidou sua posição no lado direito, podendo atuar também pelo lado oposto. Alan Minda surge como uma alternativa no setor ofensivo, ampliando as opções do treinador para as pontas do ataque.
A insatisfação de Dudu ficou evidente após a partida contra a Chapecoense, na qual entrou aos 13 minutos do segundo tempo após passar cinco partidas sem ser acionado, incluindo uma fora do banco de reservas. Após o jogo, o atacante declarou que gostaria de jogar mais, ressaltando que nenhum jogador está satisfeito com a reserva, mas que entende as opções do treinador e continuará se dedicando nos treinamentos na esperança de recuperar seu espaço.
Questionado sobre as poucas oportunidades, Dudu atribuiu a situação ao técnico Eduardo Domínguez, afirmando que cabe ao treinador decidir quem será escalado. Ele reforçou seu compromisso de trabalhar para conquistar mais minutos em campo. Desde sua última participação, o atacante soma 34 partidas e quatro gols pelo Atlético em 2023. Seu último gol ocorreu em 8 de abril, na vitória contra o Puerto Cabello, pela Copa Sul-Americana. Desde então, entrou em campo 16 vezes, sendo titular apenas em três oportunidades, acumulando um total de 540 minutos em campo — o equivalente a seis jogos completos — e uma média de 34 minutos por partida nas ocasiões em que foi utilizado.









