Neste domingo, dia 27 de abril, ocorre a celebração do Dia de São Cosme e Damião, data tradicionalmente marcada pela distribuição de doces às crianças e por homenagens aos gêmeos curandeiros considerados pelos devotos como padroeiros dos médicos, farmacêuticos e das crianças. A festividade possui raízes que combinam elementos religiosos católicos e práticas de matriz africana, refletindo o sincretismo cultural presente na história brasileira.
Para quem deseja participar das comemorações na cidade de Belo Horizonte, o portal Hoje em Dia destaca três eventos que promovem não apenas a distribuição de doces, mas também atividades culturais, religiosas e de lazer. Essas celebrações acontecem em diferentes bairros da capital mineira, oferecendo uma variedade de programações que incluem brincadeiras infantis, gastronomia, rodas de samba e cerimônias religiosas.
No bairro da Região Noroeste, o espaço conhecido como “Patota de São Cosme” promoverá uma festa no sábado, dia 26, a partir das 12h. O evento contará com uma roda de samba intitulada “Meu Samba é Reza”, que terá a participação de músicos renomados como Sérgio Pererê, Cinara Gomes e Marcelo Veronez. Além da música ao vivo, a programação inclui atividades de gastronomia, brincadeiras para as crianças, apresentações de palhaços, contação de histórias com temática afro-indígena e uma feira de afroempreendedorismo. A entrada é gratuita, embora os interessados possam adquirir, por R$ 25, um prato típico africano chamado xinxim de galinha, disponível na plataforma Sympla. Este prato, bastante presente na culinária baiana, leva ingredientes como sobrecoxa de frango, camarão, castanha-de-caju, amendoim e azeite de dendê.
Outra celebração tradicional acontece na comunidade localizada no bairro Santa Tereza, na região Leste de Belo Horizonte. A festa será realizada no domingo, das 10h às 15h, e tem origem na tradição iniciada em 1975 pela matriarca do quilombo local. A programação inclui distribuição de doces, brincadeiras e a leitura do livro “Iansã é vento, brincando faz meu cabelo dançar”, de Júnia Bertolino, que busca fortalecer a cultura afro-brasileira. Os organizadores do quilombo, o Kilombo Souza, também aceitam doações de doces para contribuir com a continuidade da celebração.
No bairro Dom Bosco, na Região Noroeste, a festa acontece no domingo a partir das 10h, reunindo atividades como gira de erês — entidades na umbanda relacionadas às crianças e ligadas aos Ibejis —, uma rua de lazer com brinquedos, apresentações de samba, barracas de comida e uma feira de afroempreendedorismo. Para auxiliar na organização do evento, a casa aceita doações de doces, brinquedos, itens de decoração ou qualquer valor via Pix.
A origem da celebração do Dia de São Cosme e Damião remonta ao século III, na região da Ásia Menor, onde viviam os irmãos médicos que, segundo a Igreja Católica, recusaram-se a cobrar por seus serviços e foram perseguidos pelo Império Romano. No Brasil, a tradição de distribuir doces no dia tem forte ligação com o sincretismo religioso, uma vez que os povos escravizados associaram os gêmeos à figura dos Ibejis, considerados os orixás da infância na umbanda e no candomblé, filhos de Xangô e Iansã. Esses orixás representam a infância, caracterizados por um temperamento brincalhão e travesso, além de serem considerados protetores das crianças.
A prática de oferecer doces como oferenda, que hoje caracteriza as festividades, é uma tradição que reforça essa ligação cultural e religiosa, consolidando o Dia de São Cosme e Damião como uma data de celebração, fé e preservação das raízes afro-brasileiras.









