O impacto da possível saída das casas de apostas do futebol brasileiro ganhou destaque na análise financeira do Atlético Mineiro, especialmente após a divulgação do balanço da temporada de 2025. Apesar de as casas de apostas terem uma presença significativa na publicidade esportiva, o patrocínio fixo recebido pela equipe do Galo da Horda, proveniente da empresa H2bet, representou menos de 10% do faturamento total do clube no ano passado. O clube registrou um faturamento recorde de R$ 768 milhões em 2025, valor que evidencia a relevância de suas receitas comerciais e a sua diversificação de fontes de renda.
Especificamente, o valor fixo recebido da H2bet, patrocinadora principal do Atlético, foi de aproximadamente R$ 60 milhões ao longo do ano, o que equivale a cerca de 7,8% da receita total. Este valor refere-se apenas ao montante fixo previsto no contrato, sem considerar bonificações por metas esportivas que podem aumentar o valor final recebido pelo clube, embora esses valores não tenham sido detalhados na divulgação oficial. O contrato com a H2bet teve início em janeiro de 2025 e tem validade até dezembro de 2027, com um valor fixo de aproximadamente R$ 180 milhões por três anos, ou seja, cerca de R$ 60 milhões anuais. Caso as metas estabelecidas sejam atingidas, o valor total pode ultrapassar R$ 200 milhões, reforçando a importância do acordo para as receitas do clube.
Antes do contrato com a H2bet, o espaço principal na camisa do Atlético era ocupado por outra casa de apostas, a Betano. Essa parceria, que começou em janeiro de 2021 e se estendeu até dezembro de 2024, proporcionou ao clube valores entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões por temporada. Apesar de representar uma parcela menor do faturamento total, o patrocínio com a Betano teve papel relevante na receita comercial do clube nos últimos anos. Quando foi anunciado, em dezembro de 2024, o acordo foi considerado o maior da história do Atlético e também do futebol de Minas Gerais, superando o patrocínio do Cruzeiro com a BetNacional, que atualmente recebe cerca de R$ 40 milhões por ano.
A relevância do tema ganhou ainda mais destaque após o governo federal publicar, na última sexta-feira (25/9), uma Medida Provisória que proíbe a operação de casas de apostas online no Brasil. A medida gerou preocupação entre clubes e federações, que alertaram para os possíveis impactos financeiros da proibição. Em resposta, o governo programou uma reunião com representantes do futebol brasileiro, marcada para esta terça-feira (29/9), com o objetivo de avaliar as consequências da medida e discutir alternativas para minimizar os efeitos negativos, incluindo linhas de crédito para as equipes afetadas.
Embora o patrocínio de casas de apostas represente uma parcela relativamente pequena do faturamento do Atlético, sua importância para as receitas comerciais do clube é inegável. A discussão sobre a continuidade ou não dessas parcerias evidencia o momento de incertezas no cenário financeiro do futebol brasileiro, especialmente diante das mudanças regulatórias em andamento.









