A Cooperativa Agropecuária do Sudoeste Mineiro (Casmil), sediada em Passos, no Sul de Minas Gerais, realizou nesta semana a eleição de sua nova diretoria para o mandato de quatro anos, consolidando uma retomada institucional após um período marcado por crise e intervenção judicial. A votação, que ocorreu no Parque de Exposições de Passos, contou com a participação de cooperados e foi realizada por meio de chapa única, denominada “Transparência Total”. A composição apresentada foi aprovada por unanimidade pelos associados, marcando um passo importante na reorganização da cooperativa.
A eleição ocorreu logo após a nomeação formal de uma nova gestão provisória, autorizada pela Justiça, que assumiu a administração da Casmil há pouco mais de um mês. A chapa vencedora é liderada por José Geraldo Franco Martins, que até então vinha atuando como administrador provisório da cooperativa. Com a vitória, Martins passa a integrar oficialmente a diretoria eleita, assumindo o comando da entidade de forma definitiva até 2030. A mudança no comando representa uma tentativa de reestruturação diante de uma crise financeira severa e de problemas administrativos que afetaram a cooperativa nos últimos anos.
A atual fase de transição foi desencadeada por uma grave crise financeira, na qual a Casmil acumula um rombo superior a R$ 90 milhões. Além disso, há suspeitas de irregularidades e desvios envolvendo antigos dirigentes, o que agravou ainda mais a situação da cooperativa. Os cooperados manifestaram a expectativa de que a nova gestão implemente medidas para recuperar a saúde financeira e administrativa da entidade, promovendo uma gestão mais transparente e responsável.
A eleição ocorre em um contexto de intervenção judicial que começou pouco mais de um mês antes, após a rejeição das contas da gestão anterior em uma assembleia geral. Na ocasião, os cooperados decidiram pela substituição do comando anterior e nomearam administradores provisórios para conduzir a cooperativa temporariamente. A crise se aprofundou ainda mais após uma controvérsia judicial relacionada à convocação da 80ª Assembleia Geral Ordinária, cuja realização foi inicialmente suspensa por decisão judicial. Posteriormente, uma decisão em recurso permitiu a realização do encontro em 29 de maio, ocasião em que também houve uma eleição com chapa única. Contudo, o resultado foi contestado judicialmente pelos cooperados, levando a uma nova intervenção.
Após uma série de processos judiciais, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais determinou a substituição definitiva do comando da cooperativa, nomeando José Geraldo Franco Martins e Jeferson de Souza Vieira como administradores provisórios. Estes receberam a responsabilidade de conduzir a Casmil de forma temporária, além de organizar uma nova eleição. Como parte da decisão judicial, foi bloqueado o acesso dos antigos dirigentes às contas bancárias da cooperativa, buscando evitar desvios de recursos e garantir maior controle financeiro.
Com a realização do pleito e a aprovação da chapa “Transparência Total”, José Geraldo Franco Martins passou a integrar oficialmente a diretoria da Casmil, assumindo o mandato até 2030. A nova diretoria tem a missão de conduzir a cooperativa rumo à recuperação, enfrentando os desafios decorrentes da crise financeira e administrativa que marcou os últimos anos. A eleição e a nova gestão representam um momento de esperança para os cooperados, que aguardam mudanças concretas na gestão e na saúde financeira da entidade.









