Por Oliveira Lima
Um começo de ano bem diferente para os grandes times do futebol brasileiro, em função da paralização necessária no meio do ano por conta da Copa do Mundo. Pela primeira vez na história, os campeonatos estaduais acontecem paralelamente ao Campeonato Brasileiro. Os Estaduais estão no tempo certo do calendário, o detalhe é que o Brasileirão é que foi antecipado no seu inicio.
E por conta do prazo exprimido e antecipado os grandes clubes, que jogaram a Série A do ano passado, ainda estão no tempo de pré-temporada, aquele período de preparação para encarar o ano. E como tudo foi antecipado, todos os times referidos estão com escalações mistas e totalmente reserva ou até mesmo com seus sub-20 neste início de campeonatos estaduais.
Em Minas, a dupla maior, Cruzeiro e Atlético não foge à regra: Cruzeiro está jogando com toda sua defesa reserva e mais um titular, no caso Mateus Henrique no primeiro jogo, e se lesionou, e no segundo utilizou Arroyo. Já o Galo, em dois jogos, usou alguns titulares, casos de Alonso, Victor Hugo, Franco, Rony e Cuello. No primeiro jogos usou também o goleiro Everson. Os reservas Natanael e Reinier estiveram nos dois jogos. Ou seja, cinco titulares e mais dois reservas.
Então qual é a diferença dos dois grandes de BH? Galo com mais gente do time titular. A diferença está no interesse da direção de cada clube. Enquanto o Cruzeiro tem seu novo técnico, um comandante de duas Copas do Mundo à frente de um projeto, o Galo tem seu comandante desinteressado numa ausência de projeto. Tite procura uma joia nos meninos da base(e que bolão tem jogado o volante Japa). Já Sampaolli não se disponibilizou à dirigir o time em Montes Claros, por pura falta de interesse e uma direção atleticana que entregou a chave do clube à ele.
E por isso mesmo se viu agora em duas rodadas, um Tite entusiasmado e uma garotada “dando tudo de si”, buscando um lugar ao sol e no lado atleticano, um Sampaoli ausente e um time somente cumprindo o papel de entrar em campo. Claro que o Galo vai passar à semifinais do campeonato e brigará pelo título contra o Cruzeiro. O que está em jogo neste atual certame mineiro é o Galo podendo ser hepta(algo inédito em Minas) e o Cruzeiro começar a levantar títulos depois da sua reestruturação, quando foi ressuscitado por Ronaldo Fenômeno e engrandecido por Pedrinho BH.
Seja quem for o campeão, num torneio que na prática vale pouco, quando um dos capitães levantar a taça, ficará mais que o gesto deste capitão, a imagem desta segunda rodada, quando em Uberlândia, o garoto Kaike Kenji, atacante do Cruzeiro, ao fazer seu primeiro gol como profissional, foi abraçar nada mais nada menos que o seu técnico Tite, um homem de duas Copas do Mundo. E no mesmo dia, horas antes, o garoto Índio, meia do Galo, ao ser expulso pelo árbitro, em Montes Claros, não tinha um Sampaolli para confortá-lo. O futebol não tolera desaforo e o vencedor nem sempre é aquele que ganha jogos.









