Belo Horizonte enfrenta uma crise no atendimento público de saúde, com hospitais filantrópicos que atendem exclusivamente pelo SUS alertando para um “colapso assistencial” devido à falta de repasses da prefeitura. A situação atinge instituições essenciais como Santa Casa, Sofia Feldman, São Francisco, da Baleia, Mário Penna, Universitário Ciências Médicas e Risoleta Neves.
As unidades relatam que os atrasos nos repasses municipais, que já eram um problema desde dezembro de 2025, se agravaram. Inicialmente, a inadimplência era de R$ 50 milhões; atualmente, as dívidas somam cerca de R$ 100 milhões. Os dirigentes acusam o município de praticar “pedaladas” — usar recursos enviados pelo Ministério da Saúde para quitar dívidas antigas, adiando o pagamento dos meses seguintes e criando um ciclo de incerteza.
A Federação das Santas Casas (Federassantas) relata consequências graves: falta de previsibilidade financeira, interrupção no fornecimento de insumos, endividamento emergencial e a necessidade de limitar novas internações para garantir a segurança dos pacientes já internados.
PBH diz ter repassado R$ 177 milhões a hospitais
Em contrapartida, a Prefeitura de Belo Horizonte afirma estar honrando os acordos. Em nota, declarou que somente em janeiro repassou R$ 177 milhões às instituições e que os envios continuarão ao longo de janeiro e fevereiro, “observando os limites legais e financeiros e a efetiva disponibilidade de recursos”.
No entanto, a Federassantas rebate, argumentando que esse valor representa apenas metade do montante devido para o período. O impasse persiste: enquanto as instituições de saúde alertam para a iminência de um colapso, o poder público municipal insiste que está cumprindo, gradualmente, com suas obrigações.








